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| - Quando tentava apontar as divergências entre si e Marcelo Rebelo de Sousa relativamente ao sistema bancário e financeiro no decorrer da entrevista à “TVI”, a eurodeputada do BE abordou os problemas do Novo Banco – um negócio que classificou como “trágico” – e afirmou: “Quando assistimos a uma situação em que o Novo Banco vende a Fidelidade por 40 milhões ao grupo Apollo e o grupo Apollo vende por 600 milhões, não temos razões para desconfiar que o negócio foi feito por baixo?”
Confirma-se que este grupo do ramo dos seguros foi comprado pelo grupo Apollo ao Novo Banco por um valor bem mais baixo do que aquele pelo qual foi posteriormente vendido?
Marisa Matias terá confundido, nesta análise, duas seguradoras com um nome muito parecido: a Fidelidade e a Tranquilidade. A primeira esteve nas mãos da Caixa Seguros, o ramo de seguros da Caixa Geral de Depósitos (CGD), até 2014, altura em que foi adquirida pela Fosun Internacional. Na altura, a venda foi feita por mil milhões de euros, num negócio onde a gestora norte-americana Apollo também se mostrou interessada.
Marisa Matias terá confundido, nesta análise, duas seguradoras com um nome muito parecido: a Fidelidade e a Tranquilidade. A primeira esteve nas mãos da Caixa Seguros, o ramo de seguros da Caixa Geral de Depósitos (CGD), até 2014, altura em que foi adquirida pela Fosun Internacional. Na altura, a venda foi feita por mil milhões de euros, num negócio onde a gestora norte-americana Apollo também se mostrou interessada.
Como se pode confirmar na estrutura acionista da seguradora, a sociedade de capital de risco chinesa continua a deter atualmente uma posição maioritária, com 84,9892% da Fidelidade, enquanto a CGD detém 15% do capital. Não houve assim qualquer venda ou alienação de capital feita pela Fosun.
Já a Tranquilidade fazia parte do portefólio de empresas do grupo Banco Espírito Santo/Novo Banco e passou para as mãos da Apollo Global Management em 2015. Com esta operação, o Novo Banco encaixou 40 milhões de euros. Em 2019, o fundo Apollo decidiu que estava na altura de vender várias seguradoras que detinha em Portugal, tendo a italiana Generali pago 600 milhões de euros para concretizar o acordo. Do negócio fazia parte o grupo Seguradoras Unidas, que juntava a Tranquilidade e a Açoreana, e a Advance Care.
Já a Tranquilidade fazia parte do portefólio de empresas do grupo Banco Espírito Santo/Novo Banco e passou para as mãos da Apollo Global Management em 2015. Com esta operação, o Novo Banco encaixou 40 milhões de euros. Em 2019, o fundo Apollo decidiu que estava na altura de vender várias seguradoras que detinha em Portugal, tendo a italiana Generali pago 600 milhões de euros para concretizar o acordo.
A partir daí surgiram várias dúvidas em torno da diferença entre o preço de venda e o preço de compra. Só pelo grupo Seguradoras Unidas, a Generali pagou 510 milhões de euros. E se o valor que a Apollo pagou pela Açoreana não foi tornado público, o que se sabe é que além dos 40 milhões de euros investidos na altura da compra, a empresa teve de investir mais 182 milhões de euros para capitalizar a Tranquilidade. Ainda assim, a diferença entre 222 e 600 milhões de euros continua a ser enorme.
Conclui-se, assim, que a seguradora a que Marisa Matias se referia não era a Fidelidade, mas sim a Tranquilidade. Confirma-se que esta foi comprada ao Novo Banco por 40 milhões de euros, tendo sido depois vendida pelo grupo Apollo à Generali. O negócio para comprar a dona da Tranquilidade foi concretizado por 600 milhões de euros.
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Avaliação do Polígrafo:
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