schema:text
| - “Muitos tentam, mas Costa e seu Governo consegue equilibrar as contas”, ironiza-se na publicação em causa, apontando para um “recorde absoluto” de dívida pública, ao nível de 268,8% do PIB. Ou pelo menos é o que se depreende a partir dos elementos indeterminados que compõem este conteúdo, denunciado como sendo fake news. O Polígrafo verifica.
No dia 18 de fevereiro de 2021, o Banco de Portugal (BdP) emitiu uma nota de informação estatística, na qual apresenta as estatísticas do endividamento do setor não financeiro (posições em final de período e taxas de variação anual, respetivamente) relativas a dezembro de 2020.
Segundo informa o BdP, “no final de 2020, o endividamento do setor não financeiro situava-se em 745,8 mil milhões de euros, dos quais 342,5 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 403,3 mil milhões de euros ao setor privado“.
“Relativamente ao final de 2019, o endividamento do setor não financeiro aumentou 27,4 mil milhões de euros. Este aumento resultou do acréscimo de 24,9 mil milhões de euros no endividamento do setor público e do aumento de 2,5 mil milhões de euros no endividamento do setor privado (Gráfico 1). O endividamento do setor não financeiro, em percentagem do PIB, foi de 268,8%, um aumento de 32,0 pontos percentuais (pp) face ao final de 2019, dos quais 19,2 pp se deveram à redução do PIB”, lê-se no documento.
“A subida do endividamento do setor público refletiu-se no aumento do financiamento concedido por todos os setores financiadores, com destaque para o setor financeiro (16,6 mil milhões de euros), seguido das próprias administrações públicas e do exterior (Gráfico 2). No setor privado, observou-se o incremento do endividamento dos particulares em 2,3 mil milhões de euros, com o financiamento obtido junto do setor financeiro (2,2 mil milhões de euros) a evidenciar-se. O endividamento das empresas privadas aumentou 0,2 mil milhões de euros; distingue-se o aumento do endividamento face ao setor financeiro (5,8 mil milhões de euros), que foi compensado pela diminuição do endividamento face às empresas e ao exterior”, acrescenta-se.
Ou seja, o endividamento do setor não financeiro, em 2020, alcançou um valor de 745,8 mil milhões de euros, equivalente a 268,8% do PIB.
É um “recorde absoluto” neste indicador, de facto, mas o endividamento do setor não financeiro engloba particulares, empresas privadas e Estado (setor público não financeiro). Não se trata apenas de dívida pública, ao contrário do que se sugere (erradamente) na publicação sob análise.
No que respeita à dívida pública, os dados mais recentes do BdP estão plasmados em outra nota de informação estatística que foi emitida no dia 1 de fevereiro de 2021.
A dívida pública na óptica de Maastricht aumentou no final de 2020 para o valor recorde de 270,4 mil milhões de euros, mais 20,4 mil milhões em relação a dezembro de 2019.
O valor absoluto da dívida pública em dezembro de 2020 (270,4 mil milhões de euros) é o mais alto desde o início da série divulgada pelo BdP que se inicia em 1995.
De resto, o último valor do rácio da dívida pública face ao PIB é referente ao final de setembro de 2020, data em que a dívida pública na óptica de Maastricht representava 130,8% do PIB, acima dos 126,1% de junho e o valor mais elevado desde setembro de 2017 (131,3%).
__________________________________________
Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
|