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| - Uma publicação partilhada nas redes sociais sugere que a situação política brasileira é “notícia em Portugal” e que “as autoridades e a população não entendem como é que uma pessoa sem crime algum está a ser prejudicada por corruptos das autoridades (ministros) e um condenado é Presidente do Brasil”. Esta descrição é feita num grupo de Facebook, cujo objetivo é partilhar informações sobre o Brasil, e é também acompanhada por um vídeo que indica que um “jornalista português faz críticas ao governo de Lula”.
No vídeo partilhado é transmitida e ideia de que a “pessoa sem crime” a que se refere a descrição é Jair Bolsonaro, antigo Presidente do Brasil e o “condenado” é Lula da Silva, atual Presidente brasileiro. E ao longo dos três minutos de vídeo ouvem-se explicações, em português de Portugal, como: “Bolsonaro é o primeiro ex-presidente a ficar inelegível para se recandidatar sem ter cometido nenhum crime, sendo afastado por mera jogada política do poder judicial, que assim afasta aquele que é considerado o mais popular presidente da história do Brasil”. No trecho do vídeo classifica-se mesmo o Brasil como um país “que se orgulha de ser comunista e que está empenhado em destruir a família, dividir a sociedade, causar o caos e eliminar opositores um por um”.
Há várias informações falsas nesta partilha. As autoridades portuguesas nunca se manifestaram em relação à situação política do Brasil e o vídeo exprime apenas a opinião de Sérgio Tavares, ex-jornalista e criador de um grupo chamado ‘Jornalistas pela Verdade’, que surgiu durante a pandemia, recusando a veracidade das notícias dadas pelos órgãos de comunicação social sobre a Covid-19 e colocando em causa toda a informação dada pelas autoridades de saúde, nacionais e internacionais. O vídeo partilhado não faz parte de uma notícia, uma vez que o canal de Sérgio Tavares não é um órgão de comunicação social, nem está registado como tal, e Sérgio Tavares também já não tem carteira de jornalista.
No vídeo, Sérgio Tavares defende que Jair Bolsonaro não cometeu qualquer crime e que está impedido de se recandidatar sem motivos válidos. No entanto, tal como foi noticiado também pelo Observador, o antigo Presidente do Brasil ficou impedido, em julho, de se candidatar a cargos políticos nos próximos oito anos, numa decisão que contou com a luz verde de cinco de sete juízes do Tribunal Superior Eleitoral. Em causa estiveram os crimes de abuso de poder político e de uso indevido dos media durante as eleições presidenciais do ano passado, que foram ganhas por Lula da Silva.
Sobre as autoridades portuguesas, vale a pena recordar que Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Brasil para a tomada de posse de Lula da Silva — que também já visitou Portugal desde que foi reeleito Presidente. Relação mais conturbada, aliás, registou-se no Executivo liderado por Jair Bolsonaro. Em julho do ano passado, durante uma visita de Marcelo ao Brasil, o ex-Presidente brasileiro decidiu cancelar um encontro agendado — tudo, porque o Presidente português também se iria encontrar com Lula e outros ex-presidentes. Depois disso, o Presidente da República voltou a viajar para o Brasil, a propósito das comemorações do bicentenário da independência daquele país, em setembro do ano passado, onde esteve com Bolsonaro, quando este ainda ocupava o cargo de Presidente. E também aí houve alguns problemas: durante o desfile, entre o chefe de Estado português e o homólogo brasileiro, na área presidencial, esteve um empresário bolsonarista sob investigação.
Conclusão
A informação partilhada no Facebook é falsa. As autoridades portuguesas nunca disseram que Bolsonaro está a ser prejudicado, nem que está a ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral sem motivos. A informação partilhada no vídeo não é de um órgão de comunicação social e Sérgio Tavares também não tem, neste momento, carteira profissional de jornalista. Além disso, a informação partilhada contraria aquilo que tem sido noticiado, incluindo pelo Observador, e ignora o facto de Bolsonaro ter cancelado um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, quando o Presidente da República esteve no Brasil, o que causou mal-estar nas relações entre os dois países.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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