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  • Publicações nas redes sociais enganam ao dizer que uma investigação da Polícia Federal sobre desvio de verbas públicas seria o verdadeiro motivo que levou o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) a desistir de assumir seu novo mandato. Os posts são embasados por notícias antigas que não guardam qualquer vínculo entre si nem provam a acusação contra o parlamentar: uma é sobre uma representação feita contra Wyllys ao Conselho de Ética da Câmara por suposta apologia às drogas, já arquivada; e outra é referente aos R$ 60 milhões que teriam sido repassados pelo governo Lula a movimentos sociais, como a CUT e a UNE, em 2006, quando o psolista ainda nem era deputado. Além disso, não há evidências de que a PF está investigando o parlamentar por desvio de verbas públicas. Procurada por Aos Fatos, a assessoria de Jean Wyllys respondeu nesta sexta-feira (25) que os reais motivos da desistência estão na entrevista concedida à Folha de S.Paulo e que as informações dos posts são boatos. Ao jornal paulista, o deputado disse temer por sua vida após receber ameaças e que, por isso, deixaria o mandato e o país. No Facebook, uma publicação da página Sou Patriota Acima de Tudo com a informação falsa já tem mais de 2.000 compartilhamentos. Essa e dezenas de outras que trazem o conteúdo enganoso foram marcadas por Aos Fatos com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (entenda como funciona). Existem rumores de que a renúncia ao mandato do deputado federal Jean wyllys nada tem a ver com as falsas ameaças de morte que o deputado anunciou em entrevista. A verdade é que: as "investigações da PF" encontraram provas robustas de desvios que ultrapassam mais de 100 milhões em projetos sociais, entre outras irregularidades onde o deputado está envolvido ativamente, algo que poderá incriminá-lo. São desvios de verbas públicas destinadas à "movimentos sociais e recebimentos irregulares" nos quais envolveu, MST, CUT, UNE, estes movimentos estão no esquema que é um escândalo desde 2006!!! Para tentar provar a tese descrita acima, as publicações nas redes sociais citam duas reportagens que não têm relação entre si. A primeira é de março do ano passado, publicada pelo G1, que noticiava uma representação feita contra Jean Wyllys ao Conselho de Ética da Câmara pelo PR (Partido da República) por apologia às drogas. A acusação tinha por base uma entrevista em um canal no YouTube onde o deputado do PSOL disse que consumiria drogas ilícitas se soubesse que o mundo iria acabar. Nada a ver, portanto, com desvios de verba pública. Essa representação foi arquivada meses depois pelo conselho por inaptidão e ausência de justa causa. A outra reportagem que, segundo os posts, provaria o envolvimento de Wyllys em desvios é a que foi publicada pelo Congresso em Foco em abril de 2006 e que repercutia investigação da Folha de S.Paulo na época. O jornal paulista havia identificado repasses do governo federal de R$ 60 milhões para o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a UNE (União Nacional dos Estudantes) nos três primeiros anos de governo Lula. Na ocasião, MST e a CUT já eram investigados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) por desvio de verbas federais. Esse caso, porém, não tem qualquer relação com Jean Wyllys, que nem deputado em 2006. O primeiro mandato dele na Câmara dos Deputados começou só em 2011. O então jornalista tornou-se conhecido após vencer, em 2005, o reality show Big Brother Brasil 5, da TV Globo. Sem provas. Além de utilizar reportagem que não se vinculam, as publicações que circulam nas redes sociais trazem informações que não podem ser provadas. Aos Fatos não encontrou qualquer citação sobre uma investigação em curso na PF para apurar desvios de verba cometidos por Jean Wyllys, ou mesmo rumores. Também não existe qualquer menção ao deputado no site da Polícia Federal. Procurada por Aos Fatos nesta sexta-feira (25), a instituição não havia respondido ao pedido de verificação até a publicação desta checagem. Já no STF, esfera onde correm processos contra parlamentares federais, também não há ações contra Jean Wyllys por desvio de verbas públicas. Em 2015, o deputado foi alvo de inquérito, rejeitado no ano seguinte, a respeito a uma queixa-crime do ex-deputado João Rodrigues (PSD-SC), que protagonizou um bate-boca com o psolista no plenário da Câmara. Jean Wyllys também foi processado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no ano passado por calúnia e injúria. A queixa-crime do presidente foi apresentada no ano passado após, em entrevista ao jornal cearense O Povo, Wyllys ter se referido indiretamente a Bolsonaro usando termos como “fascista”, “racista”, “burro”, “ignorante” e “canalha”. O ministro relator Celso de Mello, no entanto, arquivou a ação por extinção de punibilidade no começo de dezembro de 2018. Dez dias depois, a defesa de Bolsonaro pediu que o processo fosse desarquivado e hoje ele se encontra novamente com o relator. Em resposta ao Aos Fatos, a assessoria de Jean Wyllys disse nesta sexta-feira que o parlamentar não fará mais comentários a respeito da desistência do novo mandato para além da entrevista concedida à Folha, onde estariam os reais motivos para o anúncio, e que “todo o resto é boato”.
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