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  • Denunciada por vários utilizadores do Facebook como sendo fake news, na publicação em causa alega-se que um novo estudo comprova que a hidroxicloroquina é eficaz no tratamento da Covid-19. A suposta investigação terá sido realizada pela Sociedade Internacional de Doenças Infeciosas com uma amostra de 2.451 pacientes, recorrendo a um procedimento controlado e aleatório e ao ensaio clínico com dupla ocultação (“duplo cego”). Verdade ou falsidade? O estudo invocado na publicação não foi realizado pela Sociedade Internacional de Doenças Infeciosas (ISID – International Society for Infectious Diseases). De facto, a ISID é responsável pelo International Journal of Infectious Diseases, no qual foi publicado um artigo com o estudo realizado por investigadores do Sistema de Saúde Henry Ford, dos EUA. Além disso, a amostra do estudo foi de 2.541 e não de 2.451 pacientes. Por outro lado, o estudo não adopta os parâmetros científicos mais indicados para comprovar a eficácia da hidroxicloroquina ou de qualquer outro medicamento. Ao contrário do que se alega na publicação sob análise, o estudo não recorreu nem à análise aleatória na escolha dos participantes, nem usou o sistema de dupla ocultação – quando nem os médicos nem os pacientes sabem quem recebeu o medicamento e quem recebeu o placebo. Na verdade, estudos que utilizaram estas duas abordagens concluíram que a hidroxicloroquina não é eficaz para travar a infeção provocada pelo novo coronavírus. A investigação baseou-se numa análise observacional. Ou seja, neste caso, os investigadores estudaram pacientes que já tinham contraído a Covid-19 (entre 10 de março e 2 de maio), analisando que medicação tomaram e quantos sobreviveram. A partir dessa análise calculou-se a taxa de sobrevivência mediante o tipo de tratamento recebido por cada doente. Para a comunidade científica, esta abordagem não é suficiente para determinar a eficácia de um medicamento, pois análises idênticas podem levar a conclusões opostas. Num outro estudo observacional sobre a hidroxicloroquina publicado pelo The New England Journal of Medicine, em maio, conclui-se que o medicamento não reduziu a necessidade de intubação dos doentes, nem o número de mortes. Foram analisados 1.446 pacientes de um centro médico de Nova Yorque, dos quais 811 receberam hidroxicloroquina. As críticas de especialistas ao estudo Os métodos do estudo realizado por investigadores do Sistema de Saúde Henry Ford foram questionados por quatro especialistas noutro artigo publicado no International Journal of Infectious Diseases. Um dos aspectos mais criticados foi a escolha dos pacientes que receberiam a hidroxicloroquina. Embora houvesse um protocolo para o tratamento com o referido medicamento nos hospitais Henry Ford, os médicos decidiram que 16,1% dos pacientes da amostra não iriam receber a hidroxicloroquina. Os motivos da seleção não foram claramente esclarecidos, o que pode enviesar os resultados da investigação. A taxa de sobrevivência é mais alta, independentemente da eficácia da hidroxicloroquina, no caso de os médicos terem decidido que apenas quem tinha mais hipóteses de sobreviver iria receber o medicamento. O estudo pode dar a entender que há uma taxa de mortalidade maior entre os que não tomam o medicamento, mas a condição clínica dessas pessoas já tinha reduzido as suas hipóteses de sobrevivência. Os especialistas também recordam que os tratamentos aplicados podem ter sofrido alterações, para melhor, durante o tempo de análise dos pacientes – dois meses – e que esse factor não foi tido em conta na investigação. Nas críticas destacou-se ainda o uso de corticoides em mais do dobro dos doentes tratados com hidroxicloroquina. Isto porque um estudo recente revelou que um desses medicamentos, a dexometasona, pode reduzir a mortalidade nos casos mais graves. Uma decisão que também tem impacto nos resultados finais. A importância dos métodos aplicados A escolha aleatória dos pacientes é fundamental porque elimina qualquer possibilidade de direcionamento por parte dos autores do estudo. O mesmo acontece com a dupla ocultação, que faz com que nem os médicos, nem os pacientes saibam quem toma o medicamento ou o placebo. Esta etapa é igualmente fundamental para que a pesquisa não acabe por ser adulterada. A adoção destes dois procedimentos permite que o resultado final da pesquisa – saber se o medicamento faz efeito – seja mais fiável e confiável. Os próprios investigadores assumem essa necessidade. “Os nossos resultados exigem confirmação posterior, através de testes controlados e aleatórios que avaliem rigorosamente a segurança e eficácia do tratamento com hidroxicloroquina para pacientes hospitalizados com Covid-19”, escreveram os autores do estudo. Estudos esses que já foram feitos e cujos resultados contradizem esta investigação. O projeto Recovery, da Universidade de Oxford, concluiu as investigações sobre a hidroxicloroquina e anunciou, em comunicado, não ter encontrado nenhum benefício no seu uso contra a Covid-19. Também um grupo de investigadores brasileiros, cujo trabalho foi publicado no New England Journal of Medicine, chegou à conclusão de que a hidroxicloroquina não é eficaz, depois de estudar o efeito do medicamento em pessoas com sintomas leves ou moderados. _______________________________ Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social. Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é: Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos. Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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