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| - “Facebook admitiu que errou ao censurar publicações de estudos sobre a eficácia da hidroxicloroquina. Segundo a plataforma, as atuais regras de censura são inadequadas. Mas apenas reconhecer o erro é pouco. A censura pode ter custado vidas”, destaca-se num dos posts detectados pelo Polígrafo.
Embora o Facebook tenha apagado e posteriormente restabelecido uma publicação que indicava a hidroxicloroquina e a azitromicina como formas de tratamento da Covid-19, o caso foi mais complexo (e isolado) do que parece sem o devido contexto.
Na publicação em causa, datada de outubro de 2020, criticava-se as autoridades de saúde da França por não terem autorizado a prescição de hidroxicloroquina combinada com azitromicina no tratamento da Covid-19, salientando que o fármaco estava a ser utilizado noutros países para salvar vidas. Mais, questionava-se sobre o que haveria a perder se essa “droga inofensiva” fosse prescrita quando os primeiros sintomas de Covid-19 começassem a surgir.
Numa primeira fase, o conteúdo foi removido com base nas regras do Facebook contra conteúdos de desinformação que possam representar dano para a saúde pública. De acordo com o Facebook, a publicação “alegava a existência de uma cura para a Covid-19, informação refutada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”. Além disso, a plataforma sublinhou que “importantes especialista disseram ao Facebook que conteúdos alegando existirem curas ou tratamentos garantidos para a Covid-19 poderiam levar as pessoas a ignorar orientações preventivas de saúde ou tentar automedicar-se“.
Porém, na sequência de uma decisão do Oversight Board – grupo criado pelo Facebook para analisar de forma independente alguns casos de remoção de conteúdos da plataforma -, a publicação foi restabelecida.
No entendimento do Oversight Board, o utilizador não estava a incentivar as pessoas a comprar ou a tomar o medicamento sem receita. “A Administração chegou à conclusão de que, na publicação, o utilizador se opunha a uma política governamental e pretendia mudá-la. A combinação de medicamentos que a publicação afirma constituir uma cura não está disponível sem receita na França e o conteúdo não incentiva as pessoas a comprar ou tomar medicamentos sem receita”, sublinha-se no comunicado.
“Considerando estes e outros factores contextuais, a Administração fez notar que não ficou demonstrado que a publicação do Facebook subiria ao nível de dano iminente, tal como é exigido pelas suas regras nos Padrões da Comunidade”, conclui-se.
O Facebook emitiu posteriormente um comunicado (datado de 28 de janeiro de 2021) a dar conhecimento do restabelecimento da publicação, mas sublinhando que a atual abordagem para este tipo de casos vai continuar durante a pandemia.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falta de contexto: conteúdos que podem ser enganadores sem contexto adicional.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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