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| - Publicações nas redes sociais enganam ao alegar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) pediu desculpas por não ter recomendado o uso de hidroxicloroquina e azitromicina em pacientes com Covid-19 (veja aqui). A entidade não se posicionou desta maneira nem lista esses remédios entre os tratamentos que considera válidos contra a doença.
A informação falsa foi veiculada primeiro em um vídeo de 2020 do programa Alerta Amazonas, e agora voltou a circular fora de contexto. O conteúdo enganoso reunia ao menos 31 mil compartilhamentos no Facebook nesta terça-feira (15).
Não é verdade que a OMS (Organização Mundial de Saúde) se desculpou publicamente por não ter recomendado hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento da Covid-19. Aos Fatos não localizou posicionamentos da entidade com esse teor.
A OMS atualmente não indica hidroxicloroquina ou azitromicina para prevenir ou tratar a doença. As drogas não estão listadas no documento de orientação terapêutica da entidade.
O vídeo compartilhado é um trecho do programa Alerta Amazonas, da TV A Crítica, apresentado por Sikêra Júnior, em 10 de junho de 2020, e disseminado na época pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter.
A alegação distorce uma afirmação que havia sido feita cinco dias antes pelo diretor-executivo do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan. Ele pediu desculpas aos jornalistas por eventuais mensagens contraditórias dos cientistas.
Na época, o periódico científico The Lancet havia publicado uma análise que comparava a situação dos que haviam sido tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina com os não medicados e concluiu que o uso dos medicamentos não influenciou no estado de saúde dos enfermos. Após a publicação, a comunidade científica observou inconsistências no estudo que geraram questionamentos sobre sua confiabilidade.
Em entrevista concedida no dia 5 de junho de 2020, Mike Ryan foi questionado sobre o que a OMS teria a dizer para as pessoas que se sentiam confusas com o vaivém das descobertas científicas sobre, por exemplo, a eficácia da hidroxicloroquina. Ele respondeu que a comunidade científica pede desculpas e segue dedicada em fazer estudos seguros.
“Isso é fazer a coisa certa. Eu sei que isso às vezes pode dar a impressão de que a comunidade científica está confusa ou dando mensagens contraditórias e por isso nós todos pedimos desculpas coletivamente a todos vocês, mas devemos seguir a ciência, devemos seguir as evidências e estamos absolutamente dedicados a garantir que as pessoas que entram em ensaios clínicos estão entrando em ensaios seguros, que são planejados com seu benefício em mente, e que quaisquer sinais relacionados à falta de eficácia de um medicamento ou segurança de um medicamento serão monitorados cuidadosamente para que os pacientes sejam protegidos no processo.”
Embora a OMS não tenha pedido desculpas por não recomendar a hidroxicloroquina ou a azitromicina, postagens nas redes sociais com essa alegação foram checadas por Aos Fatos em agosto de 2020.
Procurado, Sikêra Júnior não respondeu até a publicação desta checagem.
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