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| - Mais de dois meses depois do início do conflito entre Israel e Hamas, na Faixa de Gaza, continuam a surgir, diariamente, informações falsas e conteúdos manipulados nas redes sociais. Desta vez, um vídeo mostra um militar a rir-se, de arma em punho, e logo de seguida a ser atingido por um projétil. “Hamas ri-se do povo de Israel. A resposta chega de imediato”, denunciam vários utilizadores de Facebook.
Mas será mesmo este vídeo recente e estará, de facto, relacionado com o conflito que subiu de tom a 7 de outubro, com o ataque do grupo palestiniano Hamas a Israel?
A resposta é não. Na realidade, o vídeo circula desde, pelo menos, 2014. E também não representa um militar do Hamas ou um ataque das Forças de Israel.
Em declarações ao Observador, o vice-chefe de missão da Embaixada de Israel em Portugal é claro: “O vídeo circula na internet há anos. Esta versão foi carregada no YouTube em 2017. Já tinha visto estas imagens em 2014. E até podem ter sido filmadas antes.”
Yotam Kreiman garante também que o vídeo não foi filmado na Faixa de Gaza.
Não sei ao certo em que região foi (Iraque, Síria ou Afeganistão), mas posso dizer que não parece ter qualquer ligação à nossa região: não é a farda das Forças de Defesa de Israel nem a nossa linguagem, também não é o Hamas, a brigada Izz-A-Din Al-Qassam ou o movimento Jihad Islâmica palestiniana”, afirma o vice-chefe de missão da Embaixada de Israel em Portugal.
Na resposta enviada ao Observador, Yotam Kreiman lamenta ainda aquilo que descreve como mais um caso de “uso cínico de notícias falsas para tentar apoiar a causa terrorista do Hamas”. “É triste”, acrescenta.
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Vários especialistas em movimentos extremistas e relações internacionais consultados pelo Observador também afirmam que não se trata de um militar em pleno conflito Israel-Hamas. José Filipe Pinto, politólogo e especialista em Relações Internacionais, destaca que o vídeo é antigo, tal como Hugo Costeira, presidente da Observatório de Segurança Interna.
As imagens já tinham sido partilhadas pelo jornal Haksöz Haber, um órgão de informação turco. “Um militante xiita que lutava ao lado do regime de Assad na Síria foi baleado enquanto ameaçava a resistência”, lê-se na notícia, publicada em 2014. Conclui-se, uma vez mais, que o vídeo é mais antigo do que o atual conflito e que o militar não pertence ao grupo Hamas.
Mas, como referido antes, esta não é a primeira vez que este vídeo circula nas redes sociais. No YouTube, está disponível uma versão mais longa do vídeo e, em 2020, as imagens também foram, de forma errada, associadas ao Estado Islâmico. A AFP desmentiu a alegação na altura.
De acordo com a AFP, e com base nestas imagens, o militar fala num dialeto iraquiano e usa um uniforme militar semelhante ao dos combatentes das fações xiitas iraquianas leais ao Irão.
A pesquisa das imagens na ferramenta TinEye também revela resultados que remontam a, pelo menos, 2014. O mesmo acontece com a ferramenta de pesquisa de imagens do Google. Mais uma vez, não é feita qualquer referência o conflito entre Israel e o Hamas, que subiu de tom a 7 de outubro deste ano.
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A fonte e a data das imagens é, portanto, incerta, tal como o local onde foram filmadas ou o grupo a que pertence o militar. Mas tudo aponta para que não estejam relacionadas com o atual conflito no Médio Oriente.
Conclusão
O vídeo mostra um militar a rir-se, enquanto segura uma arma. Pouco depois, é atingido por um projétil. As imagens circulam na Internet desde, pelo menos 2014. Mas, nos últimos dias, vários utilizadores de redes sociais começaram a associá-las, erradamente, ao conflito entre Israel e o Hamas.
Fonte oficial da Embaixada de Israel em Portugal afirma ao Observador que o vídeo não foi filmado em território israelita e sublinha que se trata de imagens antigas. Os especialistas em movimentos extremistas consultados pelo Observador também desmentem a alegação que circula nas redes sociais.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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