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| - Circulam nas redes sociais fotografias que mostram um cartaz, alegadamente produzido pela Conferência Episcopal Espanhola, com a seguinte mensagem, em castelhano: “Se abortas agora, quem vamos violar daqui a cinco ou seis anos?” No centro do cartaz, surge a imagem de um feto; ao fundo da imagem, o logótipo da Conferência Episcopal Espanhola.
Apesar de ter começado a tornar-se viral em Espanha, foi já possível identificar várias publicações a circular em Portugal e em português — incluindo com referências à Jornada Mundial da Juventude, acontecimento internacional da Igreja Católica que se realiza em Lisboa no verão deste ano.
Afinal, o que está em causa? O Observador contactou a Conferência Episcopal Espanhola, mas não obteve nenhuma resposta ao pedido de esclarecimentos. Ainda assim, será que o cartaz é verdadeiro? E quem o fez? A imprensa espanhola conta a história.
Segundo o jornal El Diario Vasco, do País Basco, o cartaz surgiu na inicialmente no dia 22 de fevereiro deste ano, uma quarta-feira, na Praça do Centenário de San Sebastián, naquela região autónoma espanhola. O cartaz seria removido no próprio dia pela autarquia da cidade basca, mas não sem antes gerar grande controvérsia social — embora os autores não tenham sido identificados.
Ainda assim, o contexto do lugar onde o cartaz foi colocado ajuda a compreender o que poderá ter estado em causa: a 100 metros dali situa-se a clínica Askabide, onde é praticada a interrupção voluntária da gravidez. Ao longo dos últimos meses, segundo vários jornais espanhóis, funcionárias e clientes da clínica têm denunciado um clima de assédio por parte de manifestantes anti-aborto, muitos ligados à Igreja Católica e a grupos ultraconservadores e de direita radical.
A sucessão de protestos levou inclusivamente um tribunal local de San Sebastián a proibir as manifestações num raio de 100 metros em torno da clínica.
Embora a autoria da ação não tenha sido identificada, a câmara confirmou tratar-se de cartazes ilegais (que foram, inclusivamente, colados por cima de cartazes legalmente afixados). O jornal espanhol La Vanguardia diz que a hipótese mais especulada é a de que o cartaz tenha sido afixado por grupos pró-aborto tendo como alvo a Igreja Católica e os movimentos mais radicais, que se opõem à prática do aborto.
Conclusão
A Igreja Católica em Espanha, por via da Conferência Episcopal Espanhola e da diocese de San Sebastián, não se pronunciaram em nenhum momento, por nenhuma fonte oficial, sobre a polémica criada pelo cartaz. O cartaz afixado em fevereiro em frente a uma clínica de abortos em San Sebastián, Espanha, terá sido uma iniciativa direcionada justamente contra a Igreja Católica — e não algo promovido pela Conferência Episcopal Espanhola, apesar de o logótipo da instituição surgir no cartaz.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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