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| - O percurso de vida de Madre Teresa de Calcutá é colocado em causa numa longa publicação na rede social Facebook, onde se avança que a mulher que foi canonizada pela Igreja Católica fazia dinheiro com a venda de bebés e que esse dinheiro era posteriormente entregue à Igreja Católica. Esse ato criminoso é, além disso, relacionado com o processo que elevou a religiosa a santa em setembro de 2016.
“Você já se perguntou por que a Igreja Católica correu para canonizar Madre Teresa após sua morte? Acontece que ela era uma traficante de crianças, vendendo bebés e canalizando entre US $ 50 a 100 milhões/ano ao Vaticano”, lê-se no referido texto.
Estas acusações contra a Madre Teresa de Calcutá são verdadeiras?
Laureada com o Prémio Nobel da Paz em 1979, a religiosa tornou-se um símbolo mundial devido ao seu trabalho junto da população mais pobre na Índia, projeto esse que inclui a criação da congregação Missionárias da Caridade.
Ao longo dos anos, Inês Gonxha Bojaxhiu, o seu nome verdadeiro, foi alvo de muitas críticas e o seu percurso muito escrutinado, como aconteceu com o trabalho do jornalista norte-americano Christopher Hitchens sobre a religiosa em 1994, “Hell’s Angel“. O documentário tem como ponto de partida o livro “Mother Teresa The Final Veredict” (“Madre Teresa, O Veredicto Final”), escrito por Aroup Chatterjee. O médico, que nasceu em Calcutá e vive em Londres, é um dos mais ferozes críticos da religiosa, assegurando que nos lares da congregação se vivia uma “cultura de sofrimento“.
Madre Teresa foi acusada de receber doações de origem duvidosa, por exemplo, ou de não dar analgésicos aos moribundos mesmo nos casos mais graves. Já as acusações de que a religiosa estava envolvida em tráfico de crianças surgiram recentemente e tornaram-se virais nas redes sociais, mas têm como base um processo contra elementos das Missionárias da Caridade e não acusações contra a própria religiosa.
Em 17 de julho de 2018, foi noticiado pelo “The Guardian” que as autoridades indianas ordenaram inspeções imediatas a todos os orfanatos geridos pela congregação, depois de funcionários de um dos abrigos terem sido acusados de vender bebés para adopção. Na altura, a investigação tinha permitido a detenção de uma ama e de uma assistente social. Em causa estava um bebé de dois meses, mas as duas mulheres tinham sido igualmente relacionadas com a venda de mais três crianças.
Em reação, a congregação disse que as acusações iam “contra as suas convições morais” e que estavam “completamente chocados” com o caso.
Quando o caso foi noticiado, já Madre Teresa de Calcutá tinha sido canonizada. A cerimónia decorreu a 4 de setembro de 2016, na Praça de São Pedro, Vaticano, e foi presidida pelo Papa Francisco. A canonização foi confirmada depois de a Igreja Católica ter aceitado de forma unânime aquilo que foi considerado como a cura extraordinária de um brasileiro, em 2008, devido a uma suposta intercessão da religiosa. Este segundo milagre era o elemento que permitia fechar um processo que começou com a beatificação, em 2003, durante o pontificado de João Paulo II.
A decisão de canonizar Madre Teresa de Calcutá partiu de uma verificação religiosa de milagres que lhe foram atribuídos e aceites como verdadeiros pela Igreja Católica, sem haver ligação a atividades ilegais praticadas pela missionária. A acusação de tráfico de crianças, por seu turno, remete para membros da congregação Missionárias da Caridade e não para a própria Madre Teresa de Calcutá.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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