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| - “Pobre é igual a papel higiénico, tem uma boa utilidade, depois de usado é jogado fora.” – Luiz Inácio Lula da Silva. Quer que eu desenhe ou você não entendeu, pobre esquerdita. Ele disse que você só presta para números nas eleições. Esse Lula não vale nada”, critica o autor de uma publicação no Facebook, de 26 de junho.
O vídeo, como 21 segundos, que é partilhado no post tornou-se viral e circula no Facebook, Twitter, TikTok e YouTube. As imagens foram também partilhadas por políticos, como o vereador Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carla Zambelli.
“O pobre é um número. Às vezes um número bonito para se utilizar em campanha. Eu, há vinte anos atrás, dizia: ‘pobre é utilizado como se fosse papel higiénico. Ah, tem uma baita de uma utilidade na época da eleição, mas depois joga ele fora e esquece’”, afirma Lula da Silva no vídeo. As declarações não são uma montagem, mas estão descontextualizadas.
Na verdade, o curto excerto integra um discurso de 43 minutos e o vídeo foi publicado no YouTube oficial de Lula da Silva, a 16 de outubro de 2021, com o título “O discurso de Lula contra a fome neste Dia Mundial da Alimentação”. O discurso aconteceu no âmbito do Encontro dos Movimentos Sociais do Campo, das Florestas e das Águas, a 14 de outubro de 2021.
O Polígrafo ouviu o discurso do antigo presidente brasileiro e percebe-se que Lula da Silva criticava o tratamento dado pela classe política à população mais pobre, muito diferente daquele que é dado a pessoas mais abastadas e instituições.
A partir dos 33 minutos, Lula afirma: “Eu estava vendo no orçamento, Gleisi [Hoffman, presidente nacional do PT e deputada federal]… você, que é especialista no orçamento, me parece que nesse orçamento agora tem R$ 245 bilhões de subsídios para os ricos. E quanto tem para os pobres? Não, o pobre não pode ter porque o pobre é gasto. Você não pode ter o Fies porque você não pode fazer dívida para garantir que uma filha de um trabalhador possa estudar na universidade. Isto é gasto! Não, isso é investimento!”, ressalta, se posicionando de forma contrária à perspetiva de que pessoas pobres são “gastos.”
E continua: “Nenhum presidente, de nenhum país do mundo, se esquece do orçamento das Forças Armadas, (…) do Itamaraty, do orçamento do Ministério Público (…). Mas se esquece de colocar o pobre no orçamento. Porque o pobre não é levado em conta. O pobre é um número. Às vezes um número bonito para se utilizar em campanha. Eu, há vinte anos atrás, dizia: ‘pobre é utilizado como se fosse papel higiénico. Ah, tem uma baita de uma utilidade na época da eleição, mas depois joga ele fora e esquece.”
Em suma, as palavras de Lula da Silva são verdadeiras, mas foram retiradas do contexto e estão a ser usadas como desinformação.
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