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| - “O CEO da Pfizer, Albert Bourla, explica a nova tecnologia da Pfizer para o público de Davos: ‘pílulas ingeríveis’ – uma pílula com um pequeno chip que envia um sinal sem fio para as autoridades relevantes quando o medicamento é digerido. ‘Imagine a conformidade’, diz ele”, afirma-se numa publicação partilhada no dia 20 de maio. No entanto, há aqui vários enganos: a tecnologia não é da Pfizer e o vídeo não é atual.
No pequeno vídeo de 26 segundos, Albert Bourla afirma: “É basicamente um chip biológico que está no comprimido e assim que você o toma e se dissolve no estômago, envia um sinal de que você o tomou. Imagine as aplicações disso, a conformidade. As companhias de seguros saberão que os pacientes estão a tomar os medicamentos que deveriam tomar. É fascinante o que acontece nesta área”.
Embora o diretor executivo da Pfizer tenha participado no Fórum Económico Mundial de 2022 (WEF, sigla em inglês) em Davos, na Suíça, o excerto não corresponde a esse evento. Uma pesquisa reversa por capturas do vídeo levou o Polígrafo e a Agence France-Presse (AFP) ao vídeo original, do WEF, com o tema “Transformando a Saúde na Quarta Revolução Industrial”, publicado no YouTube, no dia 25 de janeiro de 2018. Aos 45 minutos e 32 segundos da gravação, um dos membros do público questiona os oradores: “Mesmo que você crie o melhor remédio ou o melhor aparelho, não há garantia de que o paciente vai tomar o medicamento ou usar a tecnologia. Como acham que a tecnologia envolve o paciente? .
Imediatamente, Bourla responde, e é aqui que surge o excerto que se tornou viral: “Vou usar um exemplo. Acho incrível o que está a acontecer nesse campo agora. A FDA aprovou a primeira pílula eletrónica, se é que posso chamar assim. É basicamente um chip biológico que está no comprimido e uma vez que você o toma e se dissolve no estômago, envia um sinal de que você o tomou. Então imagine as aplicações disso, conformidade. Mas claro, há um custo inicial, mas alguém precisa de investir”.
Em nenhum momento da participação, também disponível no site do WEF, o executivo menciona que se trata de uma tecnologia da sua empresa ou que envia sinais às “autoridades relevantes”. A “primeira pílula eletrónica” aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA a que Bourla se refere não é uma tecnologia Pfizer, mas das empresas Otsuka Pharmaceutical e Proteus Digital Health.
Ambas as empresas desenvolveram o Abilify MyCite , que são comprimidos de aripiprazol , um medicamento antipsicótico, que contém um sensor ingerível que regista se o medicamento foi tomado. Um comunicado publicado pela FDA, no dia 13 de novembro de 2017, afirma que este produto foi aprovado “para o tratamento da esquizofrenia, o tratamento agudo de episódios maníacos e mistos associados ao transtorno bipolar e para uso como tratamento adicional para a depressão em adultos” .
O mesmo documento não menciona um chip no comprimido e explica que funciona com um sensor, que envia uma mensagem para um adesivo que o paciente coloca no seu corpo. As informações são transmitidas para uma aplicação para que o paciente possa seguir a ingestão de medicamentos a partir do seu telemóvel. O paciente também pode, se assim o entender, compartilhar as informações com os seus médicos através de um site.
Em suma, o vídeo em questão foi associado de forma errada a um seminário atual, quando na verdade remete para 2018. Além disso, o comprimido “eletrónico” que o diretor da Pfizer referiu, não é uma tecnologia desenvolvida pela sua empresa.
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Avaliação do Polígrafo:
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