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| - “É lá por causa destes descalabros que Portugal está falido, vejam bem isto e agora eu pergunto como é que é possível o Sr. Vítor Constâncio ganhar 250 mil euros por mês, o que vai dar 3 milhões de euros por ano. Isto é inadmissível, vergonhoso, escandaloso, abuso de poder, corrupção ao mais alto nível, um assalto à carteira dos contribuintes”, denuncia-se na mensagem associada à publicação em causa.
Verdade ou falsidade?
Antigo secretário-geral do Partido Socialista (PS), entre 1986 e 1989, Vítor Constâncio exerceu o cargo de governador do Banco de Portugal (BdP) em dois períodos distintos, a saber: entre 1985 e 1986 e entre 2000 e 2010. Saltou depois para as funções de vice-governador do Banco Central Europeu (BCE), cargo que exerceu até 2018, altura em que se reformou.
Enquanto governador do BdP, nunca auferiu um salário próximo sequer do valor indicado de 250 mil euros. Na página institucional do BdP estão registados os valores das remunerações mensais do governador e do vice-governador ao longo da última década (pode consultar aqui). Ora, nos dois últimos anos como governador do BdP, 2009 e 2019, Constâncio auferiu remunerações mensais de 17.817,70 euros e 16.926,82 euros, respetivamente.
O atual governador do BdP, Carlos Costa, aufere 16.926,82 euros (valor referente a 2018, não estando ainda disponíveis os valores de 2019 e 2020) de remunerações mensais.
A publicação sob análise difunde assim uma evidente falsidade.
Importa porém salientar que o salário de Constâncio no BCE era bastante superior ao que auferia no BdP. Em 2012, de acordo com uma notícia da Agência Lusa, o então vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, recebeu um salário de 320.688 euros, mais de 22 mil euros por mês se se considerarem 14 salários por ano.
De resto, no seu último ano como vice-governador do BCE, em 2018, Constâncio recebeu 340 mil euros, mais de 28 mil euros brutos por mês. Entretanto acumula pensões de reforma do BdP e do BCP com um valor total de cerca de 27 mil euros.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
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