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  • “Isto são decisões conscientes do Sistema de Saúde a matar. Isto são provas que os oito mil mortos são causa direta de decisões abjetas”, pode ler-se no post em análise, onde se afirma que há dados “demolidores” que têm de “levar a demissões imediatas”. As acusações são acompanhadas por uma tabela na qual é apresentada a correlação entre o número de mortes e o de ocorrências pré-hospitalares – realizadas através do contacto para o número de emergência 112 – por prioridade, entre 1 de março e 10 de setembro de 2020. Além disso, a mensagem inclui uma hiperligação para um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). A investigação da ENSP confirma que más decisões das autoridades de Saúde resultaram na morte de 8 mil portugueses? O estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores da ENSP -foi publicado a 2 de novembro – apresenta diferentes análises estatísticas referentes ao excesso de mortalidade, à mortalidade colateral e à resposta dos serviços de saúde em Portugal durante a pandemia de Covid-19. A tabela publicada nas redes sociais faz parte do artigo, assim como as citações: “Entre 2017 e 2019 havia uma associação forte entre as ocorrências pré-hospitalares de alta prioridade e o nº de mortes, (r=0,485), como seria de esperar. Em 2020, esse padrão deixou de existir. Esta mudança poderá ser em parte explicada pela relutância dos doentes em acionar os meios de assistência pré-hospitalar, mesmo em casos de sintomatologia que justificaria suporte avançado de vida ou suporte imediato de vida, por medo de serem infetados com COVID-19. Outra explicação possível é que, em tempos de COVID-19, os critérios de classificação de prioridades para cuidados pré-hospitalares tenham mudado. Observou-se por outro lado uma associação forte entre o nº de mortes e o nº de ocorrências pré-hospitalares classificadas como prioridade baixa e reencaminhadas para a Saúde24 (r=0.535). Esta mudança poderia significar que tenha havido uma mudança na política de acionamento destes meios a favor de casos COVID-19, com prejuízo da sua utilização em casos graves não COVID-19.” A tabela mostra que houve um aumento da correlação entre o número de mortes e o número de ocorrências de baixa prioridade, ou P5, passando de uma média de 0,056 (classificada pelos autores como “correlação fraca”) entre 2017 e 2019 para 0,535 (“correlação forte”) em 2020. O que significam estes números? A tabela mostra que houve um aumento da correlação entre o número de mortes e o número de ocorrências de baixa prioridade, ou P5, passando de uma média de 0,056 (classificada pelos autores como “correlação fraca”) entre 2017 e 2019 para 0,535 (“correlação forte”) em 2020. O que significam estes números? André Vieira, o investigador na ENSP que liderou o estudo, explicou ao Polígrafo que, entre outras análises, o artigo pretende “perceber se existiam diferenças, ou não, nos pedidos das pessoas de ocorrências pré-hospitalares”. Os dados que foram utilizados para as análises estão disponíveis no Portal da Transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Analisámos a quantidade de ocorrências para cada um destes graus – P1, P3, P5, PO – e correlacionámos diretamente com o número de mortos que ocorreu por dia. Aquilo que sabíamos era que, numa tendência normal, quanto mais mortes, mais ocorrências graves normalmente existem”, esclarece o investigador. “O que aconteceu este ano foi que essa correlação não se encontrou. Mas isso apenas nos diz que houve uma alteração no padrão de procura, não quer dizer que os serviços tenham atuado melhor ou pior no sentido de fazer com que as pessoas não morram.” Sobre a partilha da tabela no Facebook, André Vieira considera ser “errado” tirar conclusões idênticas às feitas na publicação analisada. “Não conseguimos dizer que este padrão justifica que o funcionamento dos serviços de atendimento de emergências médicas tenha tido influência direta nas decisões clínicas que levaram a um maior número de mortes. Isso não consigo dizer com este tipo de dados. Só podemos dizer que houve uma alteração no padrão durante este ano, comparativamente aos anos anteriores”, explica o investigador. O Polígrafo questionou o INEM para perceber se houve alteração nas diretrizes de encaminhamento das ocorrências pré-hospitalares. Via email, o serviço de emergência médico esclareceu que, segundo as normas e orientações da Direção-Geral de Saúde, “foi criado em março de 2020, um novo fluxo de triagem para gestão específica das situações relacionadas com a Covid-19”. De acordo com a mesma fonte, “esta alteração veio definir que as chamadas em cujos sinais e sintomas dos utentes fossem compatíveis com Covid-19, e nas quais não se identificassem quaisquer sinais de gravidade, fossem encaminhadas para o SNS24. Se, neste serviço, fosse, entretanto, identificado algum sintoma de gravidade, a chamada seria novamente devolvida ao Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)”. O Polígrafo questionou o INEM para perceber se houve alteração nas diretrizes de encaminhamento das ocorrências pré-hospitalares. Via email, o serviço de emergência médico esclareceu que, segundo as normas e orientações da Direção-Geral de Saúde, “foi criado em março de 2020, um novo fluxo de triagem para gestão específica das situações relacionadas com a Covid-19”. O INEM sublinha que, “caso a triagem clínica realizada nos CODU não determine o acionamento de um meio de emergência, o doente não é ‘abandonado à sua sorte’: essa chamada é sempre transferida para o SNS24, que também realiza a sua triagem”. Segundo dados do Portal de Transparência do SNS, nos meses de março e abril de 2020 foi registada uma subida bastante acentuada do número de chamadas de emergência transferidas para a SNS24 – em janeiro e fevereiro foi registada uma média de 5.745 transferências, em março o número subiu para 13.756, descendo ligeiramente em abril para 10.738. A priorização das ocorrências não está relacionada com a patologia do doente – neste caso a Covid-19 –, mas sim com a gravidade do estado clínico apresentado durante a chamada para o 112. “Se um utente tiver sintomatologia grave e compatível com Covid-19, é atribuída prioridade P1. Se tiver sintomatologia “ligeira” e compatível com Covid-19, é atribuída a propriedade P3 (envio de ambulância) ou P5 (encaminhamento ao SNS 24)”, exemplifica o serviço de emergência médica. Além disso, o INEM esclarece que, também de acordo com as orientações da DGS, passou a ser “privilegiado o não transporte ao hospital de doentes que apresentassem sinais ou sintomas compatíveis com um caso suspeito de Covid-19, desde que não apresentassem qualquer sinal ou sintoma que permitisse suspeitar tratar-se de uma situação grave”, sublinhando que “qualquer situação em que sejam identificados critérios de gravidade, origina sempre o acionamento de meios”. Além disso, o INEM esclarece que, também de acordo com as orientações da DGS, passou a ser “privilegiado o não transporte ao hospital de doentes que apresentassem sinais ou sintomas compatíveis com um caso suspeito de Covid-19, desde que não apresentassem qualquer sinal ou sintoma que permitisse suspeitar tratar-se de uma situação grave”, sublinhando que “qualquer situação em que sejam identificados critérios de gravidade, origina sempre o acionamento de meios”. INEM nega correlação apresentada no estudo Ao analisar o estudo da ENSP, o INEM defende que “são feitas afirmações imprecisas ou mesmo erradas” sobre a correlação entre o número de mortes e o número de ocorrências pré-hospitalares por prioridade. Uma das questões identificadas remete para a correlação média entre 2017 e 2019. Os autores do estudo referem que “havia uma associação forte entre as ocorrências pré-hospitalares de alta prioridade e o nº de mortes, (r=0,485), como seria de esperar”. No entanto, segundo a legenda da tabela, esse valor corresponde a “correlação moderada” e não uma “correlação forte”, que seria considerada para valores entre 0,5 e 0,75. Na própria tabela, o valor está assinalado a laranja, cor atribuída à “correlação moderada”. “Já a expressão ‘como seria de esperar’ nos levanta grandes reservas, até devido ao erro referido”, afirma o INEM, considerando que “para se poder valorizar uma eventual causalidade entre a triagem P1 do CODU e a mortalidade, sem ser numa base empírica, no mínimo, seria necessário caracterizar os doentes triados como P1 pelo CODU e avaliar o que lhes acontece, o que não foi feito neste estudo”. O serviço de emergência médica sublinha ainda que “correlação e causalidade são conceitos estatísticos completamente distintos e, até pequenas alterações do período em análise, podem gerar valores de correlação díspares”. O serviço de emergência médica sublinha ainda que “correlação e causalidade são conceitos estatísticos completamente distintos e, até pequenas alterações do período em análise, podem gerar valores de correlação díspares”. Confrontado com as críticas, André Vieira reconhece a “gralha”: “A correlação verificada é moderada e não forte, como apresentado na tabela. Porém, aquilo a que nos referimos na questão de ‘como seria de esperar’, seria o padrão de mais mortes associadas por ordem crescente de prioridades”. O investigador refere ainda que concorda com a necessidade de caraterizar os doentes triados para poder ser analisada uma eventual causalidade entre os dados, reforçando a ideia que os resultados apresentados “apenas servirão para gerar hipóteses, não confirmam qualquer relação causal”. Em suma, os dados utilizados pelos autores da Escola Nacional de Saúde Pública não permitem concluir que tenha havido uma má gestão das operações pré-hospitalares, como é referido na publicação de Facebook. Porém, o INEM confirma que uma alteração ao nível da triagem de casos suspeitos de Covid-19. Estes são encaminhados para a linha SNS24, quando não são identificados sinais de que se trata de uma situação grave. Isso significa que é atribuída a estes pacientes a prioridade P5. ___________________________________________________ Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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