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| - “Ao completar cinco anos de idade, a criança a passa a ser propriedade do Estado! Cabe a nós decidir se menino será menina e vice-versa! Aos pais cabe acatar nossa decisão respeitosamente! Sabemos o que é melhor para as crianças!” Esta é a citação atribuída a Fernando Haddad, ex-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições presidenciais do Brasil (derrotado na segunda volta frente a Jair Bolsonaro), na base de um meme com origem no Brasil e que está a ser difundido mais recentemente em Portugal, já com milhares de partilhas acumuladas nas redes sociais.
Ora, Haddad proferiu mesmo tal declaração?
Importa começar por salientar que, na versão portuguesa, acresce a colagem dessa suposta afirmação de Haddad ao Partido Comunista Português (PCP) e ao Bloco de Esquerda (BE), com o aparente objetivo de os descredibilizar politicamente. “Era este criminoso que a esquerda portuguesa, o PCP e a/o Bloco, essas então até melavam, queriam como presidente do Brasil por defender exatamente o que preconizam nesta área para Portugal”, acusa um dos internautas portugueses que partilhou o meme em análise. E questiona: “Que dizer disto?”
Há que dizer que se trata de uma falsidade. Haddad nunca proferiu tal declaração, nem defendeu (pelo menos publicamente) tais ideias. O jornal “O Globo” confirmou isso mesmo no início de outubro de 2018, quando o meme original começou a circular no Brasil, em contexto de campanha eleitoral para as eleições presidenciais.
“Era este criminoso que a esquerda portuguesa, o PCP e a/o Bloco, essas então até melavam, queriam como presidente do Brasil por defender exatamente o que preconizam nesta área para Portugal”, acusa um dos internautas portugueses que partilhou o meme em análise.
“Não há nenhum registo público de que Haddad tenha dado esta declaração. Procurada, a assessoria de imprensa do candidato afirmou que se trata de informação falsa. ‘É uma bobagem monumental, jamais o candidato diria isso'”, noticiou então o referido jornal.
Mais, “o site do ex-presidente Lula [da Silva] também tem comunicados informando que a mensagem que circula é falsa e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou que as informações sejam retiradas do ar”.
“Haddad e a coligação ‘O povo feliz de novo’ entraram com uma representação por conta da mensagem, alegando ‘propaganda eleitoral irregular consistente em publicação de informações inverídicas e ofensivas em rede social‘. No dia 25 de setembro [de 2018], a Justiça decidiu pela remoção do conteúdo do ar”, concluiu.
No entanto, o meme continua a ser difundido no Brasil e agora também em Portugal, aproveitado no sentido de associar o PCP e o BE a uma citação apócrifa de Haddad. “Que dizer disto?”
Avaliação do Polígrafo:
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