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| - “Ora, deixem ver se percebi… Em 2008, quando o [barril de petróleo] Brent estava a 143 dólares norte-americanos, o gasóleo era comercializado a 1,42 euros. (…) Agora o gasóleo vai aumentar 14,5 cêntimos para os 1,86 euros. O Brent está a 113 dólares! Como? Pela informação em anexo do IMTT, o preço do gasóleo em 2008, sem taxas, era de 0,823 cêntimos, o que quer dizer que os impostos sobre o gasóleo eram de 72,5%. (…) Hoje os impostos sobre o gasóleo estavam na ordem dos 120%“, lê-se no post de 4 de março no Facebook.
Exibe uma tabela do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) que, a partir de 2012, passou a denominar-se como Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). Essa tabela é autêntica, tendo sido recolhida a partir de um relatório que o então IMTT publicou em 2010 (pode consultar aqui), consistindo numa “evolução comparada do preço do crude em Londres (Brent, em euros) e dos combustíveis em Portugal, quer o preço de venda ao público (PVP) quer o preço sem taxas, segundo vários cenários em função do desfasamento temporal entre as compras e a chegada aos postos de venda”.
Os números indicados no post em relação a 2008 estão corretos, embora gere confusão optar por calcular o peso dos impostos em percentagem do preço de venda (neste caso do gasóleo) antes de impostos. A prática mais corrente é calcular o peso dos impostos em percentagem do preço de venda global, incluindo os impostos.
De qualquer modo, se o preço de venda do gasóleo em 2008 (ou mais especificamente, em julho de 2008, quando a cotação do barril de petróleo Brent estava ao nível de 143,95 dólares norte-americanos) era de 0,823 cêntimos (por litro) antes de impostos, totalizando 1,42 euros (por litro) com impostos, o “peso dos impostos” correspondia a 0,597 cêntimos. Ou seja, cerca de 72,5% do referido preço antes de impostos.
Salto temporal até 2022. De acordo com o último “Boletim do Mercado de Combustíveis e GPL – janeiro 2022” da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), “o preço de venda ao público (PVP) do gasóleo simples aumentou em janeiro (+2,9%), acompanhando o comportamento do preço do barril de petróleo no mercado internacional. A maior fatia do PVP paga pelo consumidor corresponde à componente de impostos (49,7%), seguida do valor da cotação internacional e frete (34,8%)”.
Ora, se o preço de venda do gasóleo em janeiro de 2022 (média do mês) era de 1,624 euros (por litro) com impostos, correspondendo o “peso dos impostos” a 0,807 cêntimos, então o preço de venda antes de impostos cifrava-se em 0,817 cêntimos. Pelo que o “peso dos impostos” equivalia a cerca de 98,8% do referido preço antes de impostos.
A diferença de 98,8% para 120% é significativa, pelo que classificamos a alegação do post como imprecisa.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Parcialmente falso: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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