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| - “Pelo menos quatro mil milhões de ‘comedores inúteis‘ deverão ser eliminados até 2050, através de guerras limitadas, epidemias organizadas de céleres doenças fatais e por fome”. Esta é a citação destacada na imagem que tem sido difundida nas redes sociais, em várias línguas, com a seguinte legenda: “Uma página de um livro de Klaus Schwab.”
E quem é Klaus Schwab? É um economista alemão, fundador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial (FEM), alvo recorrente de teorias da conspiração. Neste caso, a referência às “epidemias organizadas” impulsionou a partilha da imagem em grupos de negacionistas da corrente pandemia de Covid-19, por entre diversas interpretações das palavras escritas no livro.
Mas será que é um livro da autoria de Schwab?
Na realidade, não há qualquer registo da frase em causa (ou do resto do texto legível na imagem) em livros ou documentos escritos pelo fundador do FEM. A plataforma norte-americana “CheckYourFact” analisou livros de Schwab, tais como “Covid-19: The Great Reset“ (2020), além de páginas nas redes sociais ou comunicados do FEM, mas não encontrou qualquer referência a “comedores inúteis” que “deverão ser eliminados até 2050”.
Aliás, em resposta à “CheckYourFact”, o porta-voz da FEM, Alem Tedeneke, garantiu que “Klaus Schwab nunca proferiu tal afirmação“.
Embora seja falsamente atribuída a Schwab, a citação não foi inventada. Na verdade pode ser encontrada num livro de 1992, da autoridade de John Coleman, intitulado como “Conspirators’ Hierarchy: The Story of the Committee of 300” (pode consultar aqui).
Quanto à expressão “comedores inúteis”, importa recordar que era utilizada nos tempos da Alemanha Nazi, em referência às pessoas com problemas médicos graves ou deficiências, percepcionadas como um peso para a sociedade, ao exigirem ajuda e não retribuírem.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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