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  • Está a ser partilhado nas redes sociais um vídeo que alegadamente mostra um grupo de polícias a recuperar boletins de votos que tinham sido abandonados à beira de uma estrada nos Estados Unidos da América. Segundo a informação que acompanha as imagens, os boletins, com votos em Donald Trump, serão a prova da fraude eleitoral que o ainda Presidente norte-americano se tem esforçado para provar. O vídeo parece ter surgido originalmente na rede social Tik Tok, onde foi publicado a 7 de novembro. Chegou entretanto ao Facebook e Twitter, onde foi partilhado por utilizadores de países como a Alemanha, França, Espanha, Portugal e Brasil. Em algumas publicações, como neste tweet, acrescenta-se a informação de que os sacos que se vêm a serem carregados pela polícia estão cheios de “centenas de boletins de voto em Trump” que foram descartados. Foi a 7 de novembro, um dia após as eleições presidenciais, que Joe Biden foi declarado vencedor. Desde então que Trump tem tentado impugnar a votação, alegando fraude eleitoral. Os esforços levados a cabo pela sua defesa para anular os resultados das presidenciais têm sido liderados pelo seu advogado, Rudy Giuliani, de 76 anos, diagnosticado com o novo coronavírus no início deste mês de dezembro. A insistência de Donald Trump numa fraude eleitoral tem tido um forte eco nas redes sociais onde, sobretudo durante o mês de novembro, foram partilhadas inúmeras falsas alegações relacionadas com as presidenciais norte-americanas de 2020. Algumas delas foram já verificadas pelo Observador. https://twitter.com/AOECOIN/status/1325213006637092870?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1325213006637092870%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.reuters.com%2Farticle%2Fuk-factcheck-packages-idUSKBN27Q2JC A alegação de que as imagens mostram polícias a apanhar sacos com caixas que continham boletins de voto foi desmentida a 9 de novembro pelo gabinete do xerife do condado de Boone, no Kentucky, onde o caso se deu. Em comunicado, o gabinete explicou a situação e garantiu que era falsa a sugestão, que já corria nas redes sociais, de que as caixas continham votos em Donald Trump que nunca tinham chegado a ser contados. De acordo com o xerife de Boone, a 7 de novembro, as autoridades foram alertadas para uma série de embalagens de cartão que tinham sido abandonadas numa zona de arvoredo à beira de uma estrada, a North Bend Road, na localidade de Hebron. Pelas imagens divulgadas, é possível perceber que o local não fica muito longe de um estabelecimento chamado WaffleHouse, em Hebron. https://www.facebook.com/bcsoky/posts/3418784851510016 As caixas pareciam pertencer à Amazon e teriam sido rasgadas ou abertas, explicaram as autoridades, que removeram “cinco sacos grandes de uma zona de floresta”. “Os agentes examinaram o conteúdo dos sacos e confirmaram que continuam embalagens da Amazon que tinham sido abertas”, refere o comunicado daquela força policial. Posteriormente, um representante da empresa deslocou-se ao local e confirmou às autoridades que as caixas tinham vindo do armazém da Amazon em Hebron. “Os agentes concluíram a investigação e, a pedido do representante, devolveram a propriedade às instalações locais da Amazon”, informou ainda o gabinete do xerife de Boone. Confrontado com o vídeo e as alegações que surgem nas redes sociais, um porta-voz da empresa disse à AFP que as imagens são uma tentativa de espalhar informações falsas e que, após uma investigação interna, foi confirmado que não havia boletins de voto no interior das caixas. O Observador entrou em contacto com a Amazon, mas não obteve resposta às questões colocadas até à publicação deste artigo. Conclusão O vídeo não mostra a recuperação por parte das autoridades de boletins das eleições presidenciais norte-americanas de 3 de novembro com votos em Donald Trump. Os sacos que se veem a serem levados pelos agentes continham caixas oriundas do armazém da Amazon na localidade de Hebron, no Kentucky, onde a situação ocorreu. A origem das caixas foi confirmada em comunicado pelo gabinete do xerife do condado de Boone e pela própria Amazon que, em reposta às perguntas da AFP, declarou que as imagens são uma tentativa de espalhar informações falsas. Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é: ERRADO No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é: FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos. NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook
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