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| - Não é verdade que a conta de luz subiu quase 50% desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou posse, como fazem crer publicações nas redes. O percentual é referente ao aumento acumulado entre 2015 e 2022, período que compreende os governos Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL). Segundo as projeções mais recentes da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), as tarifas devem subir, em média, 5,6% em 2023.
Publicações com o conteúdo enganoso acumulavam 3,6 mil compartilhamentos no Facebook nesta sexta-feira (3).
Essa culpa eu não carrego. Aumento da conta de luz [em 50%]. Faz o L agora
Uma montagem que usa uma foto de Lula e o título de um texto publicado em 20 de fevereiro pelo site Terra Brasil Notícias — “Conta de luz sobe quase 50% puxada por imposto” — tem sido difundida nas redes para fazer crer que o aumento ocorreu no atual governo, o que é falso. Os dados citados no texto são de 2015 a 2022, período em que o petista não governava o país. O nome e a imagem do presidente não aparecem no link original.
A fonte utilizada pelo Terra Brasil Notícias é uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, na mesma data, que usa dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para dizer que o preço por megawatt/hora da tarifa residencial subiu de R$ 462,80, em 2015, para R$ 688,30 em dezembro de 2022 — aumento de 48,7%. A reportagem não atribui o aumento a Lula.
Em novembro de 2022, a Aneel informou à equipe de Minas e Energia do governo de transição que as tarifas de energia elétrica deveriam subir, em média, 5,6% em 2023.
Além de impostos, subsídios do governo federal também contribuíram para o aumento registrado entre 2015 e 2022. Um exemplo citado pelo Globo foi o tarifaço ocorrido em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), que chegou a 70% em razão da MP 579. A medida provisória baixou artificialmente os preços, e antecipou a renovação das concessões. Segundo o jornal, os subsídios e impostos federais, estaduais e municipais são 40% da conta de luz.
Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), o país passou por uma crise hídrica — a pior em 90 anos — que fez com que o governo acionasse usinas termelétricas, mais poluentes e com um custo extra de R$ 39 bilhões, dividido entre todos os consumidores. Empréstimos bilionários foram concedidos às distribuidoras de energia para cobrir a inadimplência e redução da demanda durante a pandemia de Covid-19, que também serão pagos pelos consumidores.
Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo, a tarifa de energia elétrica aumentou em até 36% nos dois últimos anos do governo Bolsonaro.
Salário mínimo. As peças checadas também afirmam que Lula aumentou o salário mínimo em R$ 18, em 2023, o que é verdadeiro. O valor representa um aumento real (descontada a inflação) de 2,8%. Em 2022, Bolsonaro havia assinado uma MP para reajustar o salário mínimo de R$ 1.212 para R$ 1.302, um aumento real — o primeiro de sua gestão — de 1,5%.
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