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| - “(Imagens Fortes) O jornal Planaltina recebeu um vídeo por um seguidor, de um homem supostamente estava sendo ensacado em um hospital vivo. Não sabemos a procedência do vídeo! Aguardando Atualizações”, pode ler-se na página do Facebook do jornal brasileiro.
O texto da publicação é cauteloso, mas o vídeo acabou por tornar-se viral na redes sociais. Quem o partilha, refere que este é mais um exemplo de pessoas doentes, mas vivas, que são tratadas como cadáveres, para que as estatísticas de morte por Covid-19 se mantenham elevadas.
Determinante para esta interpretação é a narração do vídeo, aqui transcrita: “Saber o que que aconteceu. Dá para ver nitidamente que o cara tá vivo ainda. Ele está se mexendo. Ele levanta os braços e eles ensacam ele vivo. Doparam ele, jogaram algodão no nariz para prender a respiração e na boca e estão ensacando o cara. É assim incrível o que estão fazendo com esse cara. E é muito provável que estão fazendo com muitos por aí a fora, por isso, que eles estão querendo proibir de todas as formas o tratamento precoce porque sabem que a maioria das pessoas vão se recuperar e vão pra casa e aí caí por terra a narrativa deles de que né tá morrendo de coronavírus aquele mundo de gente morrendo de coronavírus. O que é isso cara? Eu to assim passado depois que eu vi esse vídeo por que o tratamento precoce vai recuperar a maioria das pessoas e vai despencar o número de mortes absurdamente, mas eles precisam de uma narrativa”.
No vídeo, alguém que aparenta ser um corpo sem vida, num hospital, recebe os preparativos para ser colocado num saco mortuário e, a dado momento (por volta dos 23 segundos), os braços caem da posição de bruços para ficarem sobre o rosto ou cabeça.
Mas afinal a pessoa que está na maca está viva ou morta?
O G1- portal de notícias do Grupo Globo – fez a investigação do caso e contactou a Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Maranhão (estado do nordeste brasileiro onde as imagens foram captadas), tendo obtido este esclarecimento: “A SES informa que a paciente chegou à Unidade de Pronto Atendimento em estado clínico grave, recebeu assistência imediata dos profissionais de saúde da unidade, mas, lamentavelmente, evoluiu para óbito. A SES ressalta que toda a assistência foi prestada à família da paciente e repudia a exposição da imagem da maranhense para repercussão sensacionalista, desumana e inverídica.”
O mesmo site ouviu ainda um infecciologista, Renato Kfouri, que considera que as imagens mostram “um movimento normal de gravidade” em que “os braços apenas escorregam”, por estarem “para cima”. O médico afirma que se trata de “um corpo com característica de óbito”, pois “não parece ter nada vivo, nem o movimento é de um vivo”.
O vídeo incorre ainda em dois erros: fala de um tratamento precoce para a Covid-19 que não existe e identifica o protagonista das imagens como homem, quando é uma mulher.
Em suma, é falso que o corpo mostrado pelo vídeo, a ser preparado para colocar num saco mortuário, esteja vivo. O movimento dos braços captado pelas imagens deve-se somente à lei da gravidade.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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