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| - “Este vídeo foi excluído de todas as plataformas (incluindo o Google) há anos. Levei muito tempo para encontrá-lo. Sim, isso saiu da boca do Barack Obama e tentaram apagar o vídeo por todos os lados na rede”, pode ler-se numa das múltiplas publicações partilhadas nas redes sociais sobre o mesmo assunto.
No vídeo divulgado pelo mesmo utilizador ouve-se a seguinte declaração: “Os indivíduos são demasiado limitados para administrarem os seus próprios assuntos. A ordem e o progresso só ocorrem quando homens e mulheres entregam os seus direitos a um soberano todo-poderoso”.
Será verdade?
Não. O discurso em questão de Barack Obama foi proferido na sequência de um evento em Bruxelas, na Bélgica, destinado a jovens europeus, em março de 2014 (quando o político ainda desempenhava o cargo de presidente dos Estados Unidos).
A transcrição do discurso, disponibilizado nos arquivos da Casa Branca, mostra que as palavras do antigo presidente foram grosseiramente adulteradas.
O vídeo combina duas partes distintas do discurso para fazer parecer que Obama defende que só há ordem e o progresso se houver submissão. Na verdade, o ex-presidente afirma que essa é uma “visão mais antiga e tradicional do poder” que ele explicitamente rejeita.
“Essa visão alternativa argumenta que homens e mulheres comuns são muito limitados para governar seus próprios assuntos, que a ordem e o progresso só podem ocorrer quando os indivíduos entregam seus direitos a um soberano todo-poderoso. Muitas vezes, essa visão alternativa enraíza-se na noção de que, em virtude da raça, fé ou etnia, alguns são inerentemente superiores a outros e que a identidade individual deve ser definida por “nós” versus “eles”, ou que a grandeza nacional não deve fluir pelo que o povo defende, mas pelo que é contra”, pode ler-se na transcrição do vídeo original.
Em suma, conclui-se que Barack Obama não é o autor da frase em questão. Aliás, o ex-presidente dos EUA utilizou-a como um exemplo de uma “visão alternativa” da política com a qual discorda em absoluto.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
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