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| - “Portugal tem estrangulamentos a muitos níveis, mas identifico claramente estrangulamentos ao nível económico e político. Ao nível económico, eles vêm de há muitos anos e nós nunca tivemos uma política consistente e duradoura para os eliminar. A troika, quando aqui entrou, apenas travou a queda para o abismo“, alertou Rui Rio, no discurso final da terceira convenção do MEL que se realizou em Lisboa, nos dias 25 e 26 de maio.
“Mas uma coisa é a troika amortecer essa queda, outra coisa é depois termos a oportunidade, durante anos, de consolidar a política e eliminar as mazelas que o país tinha adquirido. Essas mazelas que ficaram, que são obviamente muitas, mas são fundamentalmente duas mais uma. Um brutal endividamento externo, que foi a primeira razão pela qual Portugal teve de pedir auxílio”, declarou o presidente do PSD.
“Há 30 anos, o endividamento externo representava valores na ordem dos 10% do PIB. Hoje apresenta valores na ordem dos 100% do PIB, 10 vezes mais, é este o patamar em que estamos e é a isto que eu chamo uma mazela”, sublinhou.
Confirma-se que o endividamento externo subiu de 10% para 100% do PIB nos últimos 30 anos?
De acordo com os dados compilados na Pordata, a dívida externa líquida em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) tem vindo a aumentar desde a década de 1990, atingindo um pico de 107,6% em 2014.
Durante a década de 1990, a dívida externa líquida chegou a apresentar valores negativos, mas em 1999 já tinha escalado para 16,3%. Em 2005 superou mesmo a fasquia de 50% e durante a intervenção da troika situou-se acima de 100% do PIB.
No global, a afirmação de Rio é correta, mas importa ter em atenção que entre 2016 e 2018 verificou-se um ligeiro decréscimo da dívida externa líquida, com percentagens de 96,1%, 93,1% e 88,9% do PIB, respetivamente.
Os valores de 2019 e 2020 ainda são provisórios, mas mantêm-se abaixo de 100%. Contudo, na medida em que na década de 1990 também se registaram valores abaixo dos 10% indicados por Rio, essa imprecisão acaba por compensar a imprecisão no que respeita aos anos mais recentes. Ou seja, a escala do aumento do endividamento externo nos últimos 30 anos, no global, acaba por equivaler à que foi apontada pelo líder do PSD.
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Avaliação do Polígrafo:
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