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| - “Este senhor é cego, vive nas ruas de Lisboa, tem 85 anos e é português e o nosso Governo dá 850 euros aos refugiados e não dá casa a este senhor”. Eis a mensagem que descreve a imagem de um idoso deitado no chão, sobre uma manta, em plena rua, tratando-se aparentemente de um sem-abrigo.
A publicação em causa já tem centenas de partilhas e comentários. Vários utilizadores do Facebook denunciaram este conteúdo como sendo falso ou enganador. Confirma-se?
No que respeita aos sem-abrigo, o Estado presta apoio social a pessoas nessa situação (pode conferir aqui), incluindo a disponibilização de casas. Não obstante, o facto é que existem atualmente cerca de seis mil pessoas sem-abrigo em Portugal, como salientou anteontem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“As consciências estão mais despertas. Comparando o que era o país há quatro anos e o que é hoje, hoje o país já não faz de conta que não há quatro mil, cinco mil, seis mil pessoas sem tecto, percebe que é preciso ajudar a resolver esse problema, é preciso fazê-lo com o Estado, com municípios, com responsáveis políticos e responsáveis nacionais e autárquicos, e com a sociedade civil”, afirmou Rebelo de Sousa, à margem de um almoço de Natal do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA) em que esteve presente.
Quanto aos 850 euros que alegadamente recebem os refugiados, o Polígrafo publicou recentemente um fact-check no qual se indicavam os montantes atribuídos a pessoas nessas condições (pode ler ou reler aqui).
Como esclareceu na altura Mónica Frechaut, vice-presidente da Assembleia Geral do Conselho Português para os Refugiados, “um refugiado reinstalado, ou seja, aqueles que vêm no âmbito de um programa específico do Estado português, têm direito a um apoio pecuniário de 150 euros por pessoa. Quanto maior o agregado familiar, maior o apoio. Pode haver pessoas a receber 900 euros, mas aí estamos a falar de agregados muito grandes. Importa ressalvar que este programa tem uma duração de 18 meses“.
Como tal, um refugiado, sozinho, não recebe 850 euros por mês. Seria necessário que se tratasse de um agregado familiar de seis pessoas para que o montante se cifrasse em 900 euros (150 x 6) por mês.
Ou seja, a publicação em análise difunde uma falsidade. Por outro lado, a fotografia também poderá não ter sido captada em Lisboa, na medida em que já tinha sido publicada anteriormente na página espanhola “Aranjuez Magazine” (pode conferir aqui), mas não conseguimos encontrar a origem da mesma.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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