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| - O objetivo consiste em expor a Câmara Municipal de Lisboa (CML) “em números“, enunciado desde logo no topo do post que está a ser partilhado por centenas de pessoas no Facebook e outras redes sociais. Começando por um orçamento anual de 1.150.000.000 euros e um total de 13.068 funcionários (“um funcionário por cada 38 habitantes“), o que supostamente distingue a CML como o “segundo maior empregador do país a seguir à TAP“.
Salienta-se também que, entre os funcionários, contam-se 381 advogados, 168 historiadores, 159 relações públicas, 443 arquitectos, 33 antropólogos, entre outras categorias profissionais.
O Polígrafo consultou a proposta de Mapa de Pessoal da CML para o ano de 2021. No documento indica-se que estavam previstos 13.068 postos de trabalho em todas as modalidades de relação jurídica de emprego público.
No entanto, questionada pelo Polígrafo sobre esta matéria, a CML explica que “o total dos trabalhadores efetivamente em exercício de funções na Câmara Muncipal de Lisboa é de 9.428, incluindo-se aqui 1.669 funcionários das escolas de Lisboa, que passaram a integrar o mapa de pessoal do Município em setembro de 2020, no âmbito da descentralização administrativa“.
O referido documento contém uma tabela que comprova esta informação: um total de 9.428 postos de trabalho ocupados.
Como tal, sublinha a CML, “não se percebe o rácio referido do número de funcionários por habitante”. O número total de funcionários da CML, “a dividir pelo total de habitantes de Lisboa, não dá nunca a proporção citada”.
O Polígrafo fez as contas. Se tivermos em consideração o número de habitantes da cidade de Lisboa – 504.718 em 2016 -, verificamos que a autarquia tem cerca de um funcionário por cada 53 habitantes. Menos 15 do que os indicados no post que resultam da divisão entre o número de habitantes e o número previsto (não concretizado) de funcionários.
Na resposta ao Polígrafo, a CML sublinha que “o município tem competências assumidas como capital do país que vão muito para além da resposta exclusiva à população residente, tendo as suas estruturas que servir diariamente todas as pessoas que trabalham, estudam e visitam a cidade, em matérias como proteção civil, higiene urbana, espaço público, transportes, entre outras áreas essenciais”.
Por outro lado, indica que “tem efetivamente em funções 236 técnicos superiores de Direito no seu Mapa de Pessoal de 2021 e não 400 como erradamente se refere. Quanto aos arquitectos, a Câmara Municipal de Lisboa tem efetivamente em funções 347 profissionais”.
Concluindo, o número indicado no post não corresponde ao número de postos de trabalho ocupados na CML. Trata-se de uma previsão ou estimativa que não se concretizou. Os números referentes a algumas categorias profissionais também estão errados.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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