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| - Uma suposta carta do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa está a provocar indignação generalizada nas redes sociais. Datada de 8 de Novembro de 2019, é remetida pelo serviço de Gestão de Doentes do IPO a um doente daquele hospital especializado em cancro e diz o que se segue:
“Exmo (a). Senhor (a),
Informamos que a consulta de primeira DERM marcada para o dia 20/01/2020 às 14 horas, foi alterada para o dia 04/01/2021 às 14:30 horas no Pavilhão Escola Superior de Enfermagem – Piso 02.
Deverá levar este documento comprovativo da alteração.”
O Polígrafo contactou a administração do IPO de Lisboa e constatou que se trata de um documento verdadeiro. De facto, o doente em causa, Abílio Mendes, um senhor de 89 anos, recebeu a missiva agora divulgada, que efetivamente adiava por um ano uma consulta de dermatologia.
Fonte oficial do IPO garantiu ao Polígrafo que se trata de um doente que, depois de ter passado por um processo de triagem (ver actualização no final do texto), concluiu-se que não padecia de um problema de carácter oncológico. E que, assim sendo, não foi classificado como prioritário, uma vez que a prioridade daquela unidade hospitalar é atribuída aos pacientes que manifestamente sofram de problemas oncológicos.
O Polígrafo contactou a administração do IPO de Lisboa e constatou que se trata de um documento verdadeiro. De facto, o doente em causa, um senhor de 89 anos, recebeu a missiva agora divulgada, que efetivamente adiava por um ano uma consulta de dermatologia.
A mesma fonte oficial sublinha ao Polígrafo que foi comunicado ao doente em causa que tinha uma alternativa: tratar-se no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, com quem o IPO possui um protocolo de envio de doentes com estas especificidades. A opção é aguardar um ano para ser atendido no IPO. Um detalhe importante: as normas em vigor estipulam que mesmo nestes casos – em que não é diagnosticado um problema crítico, como um cancro – o tempo máximo de espera é de 180 dias. Ou seja, o período que é apresentado ao utente viola largamente o previsto pelos regulamentos do Ministério da Saúde.
Fonte oficial do IPO garantiu ao Polígrafo que se trata de um doente que, depois de ter passado por um processo de triagem, concluiu-se que não padecia de um problema de carácter oncológico. E que, assim sendo, não foi classificado como prioritário.
Nestas situações, é a vontade do doente que prevalece. E esta, segundo confirmou ao Polígrafo a mesma fonte oficial, ainda não foi comunicada à instituição. Em resumo, é verdade que a consulta foi adiada por um ano, é verdade que esse período ultrapassa os limites previstos na lei, mas também é uma realidade que tudo indica não se trata de um doente oncológico.
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Atualização: Depois da publicação deste fact-check, o Polígrafo foi contactado pela filha de Abílio Mendes, que referiu que este não chegou a ser atendido no IPO – a consulta que inicialmente lhe marcaram foi marcada depois do envio, pelo seu médico de família, de fotografias das feridas que o idoso apresentava no couro cabeludo. Já depois do texto publicado pelo Polígrafo, o doente terá sido contactado para comparecer no IPO para uma consulta na próxima sexta-feira, 22. Esta atualização, que é relevante do ponto de vista do enquadramento da história, não altera a avaliação original, que já confirmava o adiamento da consulta em causa.
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Avaliação do Polígrafo:
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