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| - “É das coisas mais estúpidas que se pode fazer. Usar a ignorância na reacção contra a guerra. Banir Dostoiévski, como propôs uma universidade italiana, é usar a escuridão para lutar contra a escuridão. Virá Tolstoi a seguir? Soljenitsin? Os vultos da cultura Russa devem ser guias na esperança e não alvos da cultura de cancelamento”, critica o autor da publicação, datada de 2 de março.
Será mesmo assim? Fiódor Dostoiévski vai ser banido numa universidade em Itália?
Em causa, está a notícia desta quarta-feira sobre a decisão da Universidade de Milão-Biccoca que decidiu cancelar um curso sobre um dos principais autores da literatura russa, Fiódor Dostoiévski, devido à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
A polémica ganhou visibilidade quando Paolo Nori, professor, escritor e especialista em Literatura Russa, publicou na sua conta no Instagram um vídeo no qual denunciou a decisão da universidade. Nori explicou que recebeu um e-mail onde se podia ler que era melhor adiar as suas quatros aulas sobre as obras de Dostoiévski para “evitar qualquer polémica neste momento de grande tensão“.
“Ser russo é um problema? Incluindo ser um russo morto? O que está a acontecer na Ucrânia é horrível e tenho vontade de chorar só de pensar. Mas o que está a acontecer é ridículo: uma universidade italiana que proíbe um curso sobre Dostoiévski, não consigo acreditar. Devíamos falar mais sobre Dostoiévski. Ou de Tolstoi, o primeiro a inspirar movimentos não violentos”, disse emocionado no vídeo.
A proposta gerou tantas críticas que a universidade decidiu recuar e confirmar a realização do curso. A diretora, Giovanna Iannantuoni, explicou que “sem censura, o curso será realizado conforme estava planeado. Houve um mal-entendido num momento de grande tensão”. A Universidade de Milão-Bobboca emitiu ainda uma nota oficial: “A nossa universidade está aberta ao diálogo mesmo neste período muito difícil que nos vê consternados com a escalada do conflito”. Bicocca confirma o curso no programa ‘Bentre escrita’ sobre conteúdos já ‘acordados’ com o escritor.”
No entanto, em declarações à agência de notícias italiana ANSA, Paolo Nori não confirmou o regresso. “Agora não sei se vou, preciso de pensar. Não sei se quero ir para uma universidade que pensou que Dostoiévski é algo que gera tensão”, disse.
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