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| - “O PAN é a maior mentira da política portuguesa! Têm conseguido fazer crer a alguns portugueses de que se importam com os animais… Mas a sua agenda é cultural com objectivo de servir a lobbies poderosos! Uma coisa é certa: não estão minimamente interessados no bem-estar dos portugueses“, acusa-se no texto de uma publicação de 10 de setembro na página do partido Chega no Facebook.
“Os animais são o meio que utilizam para atingir o poder, mas se se importassem verdadeiramente com os animais, seriam os primeiros a denunciar o que algumas minorias fazem aos seus animais! Só o Chega o faz sem medo! Não aos maus-tratos dos ciganos aos seus cavalos! Queremos ver o PAN a denunciar isto”, acrescenta-se no mesmo texto.
A publicação em causa denuncia que no programa eleitoral do PAN contam-se “128 propostas sobre a proteção, saúde e bem-estar animal” e apenas “21 propostas sobre a proteção, saúde e bem-estar das pessoas“. Verdade ou mentira?
O Polígrafo analisou o programa eleitoral do PAN para as legislativas de 2019 e verificou que os números indicados na publicação do Chega são falsos.
Do total de 13 capítulos do programa, apenas um capítulo – o quinto – é dedicado à “proteção, saúde e bem-estar dos animais”. Nesse capítulo estão inscritas 138 propostas, número ligeiramente superior ao que é evocado na publicação em análise.
Relativamente à “proteção, saúde e bem-estar das pessoas” identificamos seis capítulos no programa do PAN que se enquadram nesse âmbito, a saber: “Educação, Ensino Superior e Investigação”; “Igualdade, Inclusão, Respostas Sociais”; “Preparar o Futuro das Novas Gerações”; “Prevenção da Doença e Promoção da Saúde”; “Habitação Digna e Acessível”; “Direitos Laborais e Mais Tempo para Viver”.
A título de exemplo, no quarto capítulo, dedicado à “Igualdade, Inclusão, Respostas Sociais”, encontramos propostas relacionadas com a “Terceira Idade”, “Pessoas em Situação de Sem-Abrigo” e “Violência Doméstica”.
No sétimo capítulo, dedicado à “Prevenção da Doença e Promoção da Saúde”, há propostas sobre o “Reforço do Sistema Nacional de Saúde” e os “Direitos dos Doentes em Fim de Vida”.
Nos seis capítulos que se enquadram no que a publicação do Chega classifica como “protecção, saúde e bem-estar das pessoas” identificamos um total de 481 propostas.
É um número muito superior ao que é indicado na publicação em análise. Aliás, também é bastante superior ao número de propostas sobre o bem-estar animal. Pelo que se trata de uma clara falsidade, na forma de propaganda política negativa visando um partido rival.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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