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| - Não é a primeira vez que o Polígrafo analisa supostas citações de Ramalho Eanes, entre as quais algumas que classificou anteriormente como falsas ou apócrifas. Eis uma série de exemplos mais ou menos recentes:
– Ramalho Eanes disse que “o nosso problema” é que “os grandes ladrões governam o país”? Falso.
– Ramalho Eanes cede ventilador a “jovem que precisar” e Rebelo de Sousa toma vacina que “não há para todos”? Impreciso.
– O general Ramalho Eanes apelou à desobediência civil contra “os grandes ladrões que governam o país”? Falso.
– Ramalho Eanes recusa prioridade na vacina e prefere “esperar pela sua vez como octogenário”? Verdadeiro.
Desta vez, o tema é a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. De acordo com uma citação que está a circular nas redes sociais, o antigo Presidente da República terá dito ou escrito que “abril ofereceu as liberdades mas esqueceu-se de criar cidadãos“.
Esta publicação foi denunciada como sendo fake news. Confirma-se?
Não. A declaração em causa foi mesmo proferida pelo general Ramalho Eanes, no dia 16 de maio de 2016.
“O alerta foi deixado por Ramalho Eanes: a democracia portuguesa não é satisfatória porque ‘não tem havido a preocupação de politizar os cidadãos desde a infância‘. No encontro com jovens de Castelo Branco onde o atual Presidente da República quis começar as comemorações dos 40 anos das primeiras eleições presidenciais em democracia, o primeiro chefe de Estado eleito fez uma crítica directa aos dirigentes políticos: ‘A República de abril oferece todas as liberdades, mas esqueceu-se que é necessário criar cidadãos, sobretudo através da educação. Pouco se fez para que a cidadania adulta, exigente e participativa existisse'”, informou o jornal “Público”, nesse mesmo dia.
“A República de abril oferece todas as liberdades, mas esqueceu-se que é necessário criar cidadãos, sobretudo através da educação. Pouco se fez para que a cidadania adulta, exigente e participativa existisse”, afirmou Ramalho Eanes, a 16 de maio de 2016.
“Essa educação cívica que preconizou deve começar ‘desde a pré-primária ou pelo menos desde a primária‘. E um dos instrumentos, além dos clássicos de transmissão de conhecimentos, poderia ser ‘a avaliação dos professores pelos alunos’, para ‘personalizar, em vez de impor, o respeito’ e para que ‘o professor saiba se os alunos gostam dele e porquê'”, lê-se no mesmo artigo.
“‘Não aceito, não tolero que não haja um ensino secundário de qualidade‘, disse, quando questionado sobre o que devia o país fazer para que os jovens não tenham de emigrar. ‘Na educação não há que haver confrontos irreversíveis, há que encontrar o consenso. E só a educação pública é o verdadeiro ascensor social, a privada é excepcional’, acrescentou, mesmo antes de um estudante lhe perguntar o que pensava da concorrência entre escolas públicas e privadas. Mas não era uma tomada de posição anti-colégios. Para Eanes, o Estado ‘tem de garantir que os cidadãos usufruem serviços de qualidade‘, mas ‘não tem de ser o prestador de todos os serviços. Tem de ser o regulador para que todos tenham oportunidades iguais e de qualidade'”, defendeu Eanes, segundo reportou na altura o mesmo jornal.
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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.
Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:
Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Verdadeiro” ou “Maioritariamente Verdadeiro” nos sites de verificadores de factos.
Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:
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