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| - “A propósito da inflação de segunda ronda. No setor institucional das Administrações Públicas observou-se um acréscimo homólogo de 5,4% na remuneração total, que atingiu 1.765 euros em março de 2023”, destaca-se numa publicação de 11 de maio no Facebook, remetida ao Polígrafo com pedidos de verificação de factos.
“No setor privado, as remunerações aumentaram de forma expressiva: a remuneração total registou uma variação homóloga de 8,3%, de 1.176 euros março de 2022 para 1.274 euros um ano depois”, compara-se no mesmo texto, ilustrado por um gráfico com dados sobre a “remuneração brutal mensal média por trabalhador (total, regular e base) por setor institucional da economia e março de 2023″.
O gráfico em causa foi replicado a partir do mais recente boletim de “Estatísticas do Emprego – Remuneração bruta mensal média por trabalhador” (pode consultar aqui) publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a 11 de maio de 2023.
De acordo com os dados apurados pelo INE, “a remuneração bruta total mensal média por trabalhador (por posto de trabalho) aumentou 7,4%, para 1.355 euros, no trimestre terminado em março de 2023 (correspondente ao 1.º trimestre do ano), em relação ao mesmo período de 2022. A componente regular e a componente base daquela remuneração aumentaram 7,3% e 7,6%, situando-se em 1.211 euros e 1.138 euros, respetivamente”.
Contudo, “em termos reais, tendo por referência a variação do Índice de Preços do Consumidor, a remuneração bruta total mensal média diminuiu 0,6%, assim como a sua componente regular, enquanto a componente base diminuiu 0,4%. Estes resultados abrangem 4,5 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações, mais 4,2% do que no mesmo período de 2022″.
No que respeita à comparação entre a Administração Pública e o setor privado, o INE informa que “no sector institucional das Administrações Públicas (AP) observou-se um acréscimo homólogo de 5,4% na remuneração total, que atingiu 1.765 euros em março de 2023 (1.676 euros em março de 2022). Neste período, a componente regular aumentou 5,0%, de 1.591 euros para 1.670 euros, e a remuneração base registou um aumento de 5,4%, passando de 1.499 euros para 1.579 euros”. Mas “em termos reais, nas AP, as remunerações total, regular e base diminuíram 2,5%, 2,8% e 2,4%, respetivamente”.
No setor privado, por sua vez, “as remunerações aumentaram de forma mais expressiva: a remuneração total registou uma variação homóloga de 8,3%, de 1.176 euros em março de 2022 para 1.274 euros um ano depois. A componente regular aumentou 8,5%, subindo de 1.031 euros para 1.119 euros, e a remuneração base aumentou 8,8%, passando de 966 euros para 1.051 euros. Neste sector foram observados aumentos homólogos reais nos três tipos de remuneração: 0,3% na total, 0,5% na regular e 0,7% na base”.
De resto, o INE salienta que “as diferenças nos níveis remuneratórios médios entre o setor das AP e o setor privado refletem, entre outras, diferenças no tipo de trabalho realizado e nas qualificações dos trabalhadores que os integram. Com efeito, verifica-se que os trabalhadores do setor das AP têm, em média, níveis de escolaridade mais elevados: 55,2% dos trabalhadores neste setor tinham ensino superior (22,7% no setor privado), 26,6% tinham completado o ensino secundário ou pós-secundário (32,4% no setor privado) e 18,3% tinham um nível de escolaridade correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (44,9% no sector privado)”.
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Avaliação do Polígrafo:
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