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| - “Portugal é o 4.º país com o Governo mais corrupto da Europa. Foi isso que a abrilada do 25 de abril de 1974 trouxe para os portugueses. Vergonha”, lê-se num post de 30 de julho no Facebook que mostra o gráfico.
De acordo com os dados apresentados, a média dos 27 Estados-membros da União Europeia é de 62% e os países escandinavos – Dinamarca (12%), Finlândia 16%) e Suécia (21%) – sobressaem pela positiva com percentagens residuais de inquiridos que consideram que a corrupção no Governo é um “grande problema“.
No extremo oposto da tabela destacam-se – pela negativa – países como a Croácia (92%), Bulgária (90%), Chipre (88%) e Portugal (88%).
O gráfico em causa foi replicado a partir da mais recente edição (de 2021) do Barómetro Global da Corrupção desenvolvido pela Transparency International. No relatório com dados referentes à União Europeia encontramos um gráfico exatamente igual ao que está a ser partilhado nas redes sociais.
Questionados sobre se a corrupção no Governo é um “grande problema” no seu país, 88% dos inquiridos portugueses responderam que sim. No total foram inquiridas 40.600 pessoas maiores de 18 anos de idade, distribuídas por todos os 27 Estados-membros, através de entrevistas telefónicas. O período de recolha dos dados ocorreu entre outubro e dezembro de 2020.
No que respeita à percepção de aumento de corrupção no país ao longo dos últimos 12 meses, 41% dos inquiridos portugueses responderam que sim, têm essa percepção de aumento. É também uma das percentagens mais elevadas entre os 27 Estados-membros da União Europeia, superada apenas por Chipre (65%), Eslovénia (51%), Bulgária (48%), Roménia (45%) e Croácia (41%).
Em suma, o gráfico é autêntico, replicado a partir da mais recente edição do Barómetro Global da Corrupção da Transparency International. Mas a interpretação do mesmo, sobretudo a conclusão de que “Portugal é o 4.º país com o Governo mais corrupto da Europa”, não tem fundamento nos dados.
A percepção de um número limitado de inquiridos sobre se a corrupção no Governo é um “grande problema” no seu país não equivale, de todo, a uma medição concreta dos níveis de corrupção de um Governo. De resto, há que ter em atenção que os inquiridos portugueses representam apenas uma pequena parte do total de 40.600 pessoas entrevistadas por telefone em toda a União Europeia.
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Avaliação do Polígrafo:
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