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  • Não é verdade que a FDA, agência regulatória americana, afirmou que nitritos e nitratos estão sendo adicionados ao arroz e que o consumo do alimento causará aumento de casos de câncer. Não há registros disso nos canais do órgão e especialistas afirmaram ao Aos Fatos que a alegação não tem embasamento, já que o arroz não requer o uso de conservantes. Publicações com o conteúdo falso acumulavam cerca de 50 mil curtidas no Instagram até a tarde desta quarta-feira (20). O arroz causará câncer em você até 2028, confirma Food and Drug (FDA) agora em maio de 2026 Publicações nas redes mentem ao afirmar que a FDA publicou um relatório em maio de 2026 afirmando que o consumo de arroz causará um aumento de 98% em casos de câncer terminal até 2028. Não há registros do suposto documento no site da instituição ou em canais especializados. As peças desinformativas compartilham um texto alegando que “uma nova adição de conservantes (nitritos e nitratos) para prolongar a vida útil do arroz irá gerar substâncias como nitrosaminas, que são altamente prejudiciais para as células do corpo humano”. Especialistas consultados por Aos Fatos, porém, afirmam que essa alegação não tem embasamento técnico. A doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) Laura Marise explica que o arroz é um grão seco e naturalmente estável, e por isso não requer conservantes como os citados pelas postagens para ser armazenado com segurança. “É como se alguém tentasse salgar arroz cru em casa: o sal vai ficar todo no fundo do pote”, afirmou. A especialista também pontua que, por ser um grão, o arroz não é um produto que se busca aumentar a vida de prateleira. Se armazenado em local sem umidade, pode durar anos. Bruno Lemos Batista, professor de química da UFABC (Universidade Federal do ABC), concorda que a alegação não tem embasamento técnico. Segundo ele, compostos nitrogenados são usados na agricultura como fertilizantes, mas isso não tem relação com os nitritos e nitratos empregados como conservantes em alimentos processados. Nitritos e nitratos são sais minerais usados como conservantes, principalmente em carnes curadas e processadas, como presunto, bacon, linguiça e salsicha, além de alguns tipos de queijo. Durante o processamento dos alimentos ou no organismo, eles podem reagir com outras substâncias e formar compostos chamados N-nitrosaminas. A Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) classifica várias nitrosaminas como provavelmente ou possivelmente cancerígenas para humanos, razão pela qual sua presença em alimentos e medicamentos é monitorada por autoridades sanitárias. As peças de desinformação também mentem ao afirmar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) teria concluído que, a cada cinco gramas de arroz consumidos, o risco de câncer aumentaria em 98%. Não há qualquer documento da entidade com esse dado. Ao contrário, o grão consta como um dos alimentos recomendados pela organização para uma dieta saudável. Para conferir aparência de credibilidade, o texto atribui parte das declarações a um cirurgião oncológico chamado Jackson Machado Souza, que seria presidente de uma suposta Associação da Medicina. Aos Fatos não encontrou registros desse profissional em hospitais, universidades, sociedades médicas ou conselhos profissionais. Os únicos resultados associados ao nome são as próprias publicações que disseminam a desinformação. Também não existe no Brasil uma entidade médica chamada Associação da Medicina. A principal organização representativa da categoria é a Associação Médica Brasileira, presidida atualmente pelo médico ginecologista e obstetra César Eduardo Fernandes. O caminho da apuração Aos Fatos realizou uma busca pelo suposto relatório ou qualquer comunicado similar no site da FDA e em canais especializados. A reportagem consultou também a doutora em biociências e biotecnologia Laura Marise e o professor de química da UFABC, Bruno Lemos Batista. Também buscamos um posicionamento dos ministérios da Saúde e Agricultura, que não responderam até o fechamento desta checagem. Por fim, foram verificadas informações no site da OMS e realizadas buscas por registros do suposto médico “Jackson Machados Souza” e da entidade “Associação da Medicina”.
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