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  • “A poucos dias do Natal, e ninguém fala sobre este caso gravíssimo! NATAL CANCELADO EM ALGUMAS ESCOLAS PARA NÃO OFENDER”, lê-se numa publicação nas redes sociais acompanhada de uma imagem onde consta, em letras garrafais: “Natal cancelado em escolas para não ofender islâmicos”. Variações desta mensagem circularam no Facebook no último mês, em força na semana do Natal, colecionando gostos, partilhas e comentários. Mas será verdade? Grande parte das publicações disseminadas não aponta para qualquer fonte da suposta informação. Outras remetem para um artigo da Folha Nacional, jornal do partido Chega, em que é descrito que o Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos, em Pinhal Novo, “decidiu eliminar por completo todos os elementos natalícios das fotografias escolares”. “A medida, apresentada como um gesto de ‘igualdade’ entre alunos que celebram e que não celebram o Natal, caiu como uma bomba entre pais que se sentiram surpreendidos, desrespeitados e, sobretudo, culturalmente apagados”. O artigo procede com declarações de André Ventura, líder do partido de extrema-direita, que classifica o suposto cancelamento como um “apagamento cultural em versão escolar”, e o princípio da extinção da “própria identidade portuguesa.” Ora, uma pesquisa por outras fontes de informação além da Folha Nacional, jornal do Chega que está registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social como publicação periódica de conteúdo “doutrinário”, não oferece quaisquer resultados. Isto é, não há qualquer fonte fidedigna que tenha reportado ou confirme que em alguma escola do país o Natal foi cancelado pelos motivos apresentados. De resto, na página de Facebook do Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, a escola mencionada no jornal do Chega, consta uma publicação de 16 de dezembro que dá conta da celebração natalícia. “É Natal!”, pode ler-se na descrição do post. “E a tradição mantém-se”, continua o texto, que acompanha fotografias das decorações da escola onde se pode ver, entre outros objetos, uma árvore de Natal. A informação contradiz, assim, a veiculada nas redes sociais. Conclusão É falso que o Natal tenha sido cancelado em várias escolas do país “para não ofender islâmicos”. E o único exemplo dado pelos que veiculam a suposta tese é contrariado com registos fotográficos. Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é: ERRADO No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é: FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos. NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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