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  • O vídeo, que dura pouco mais de 20 segundos, mostra dezenas de pessoas a marcharem nas ruas, enquanto seguram bandeiras e lençóis brancos. Ouvem-se palavras de protesto em árabe. Na legenda que acompanha a publicação, o momento é apresentado como uma “manifestação anti-Hamas na Faixa de Gaza”, algo que, diz o autor, era “até então inimaginável”. O post descreve este alegado episódio como uma “inversão dramática de perspetivas”, uma vez que “os próprios palestinianos se posicionam contra o Hamas”, enquanto que, em simultâneo, nos países do Ocidente, “há protestos em apoio” ao grupo islâmico. O vídeo em questão, que mostra o alegado protesto anti-Hamas em Gaza, chegou a ser partilhado por várias contas oficiais do Estado de Israel, incluindo pelo porta-voz do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para o mundo árabe. Na rede social X, antigo Twitter, Ofir Gendelman escreve que “os habitantes de Gaza estão farto do Hamas e começaram a demonstrá-lo, de forma a derrubar o seu [Hamas] regime terrorista brutal”. Neste post, o cântico dos manifestantes surge legendado, com as palavras de ordem: “O povo quer derrubar o Hamas!” Gazans have had it with Hamas and started demonstrating in order to topple its brutal terrorist rule, after it destroyed their lives yet again. Watch. pic.twitter.com/KjRzPUpBIH — Ofir Gendelman (@ofirgendelman) November 23, 2023 Importa contextualizar esta publicação. A partilha acontece depois de mais de dois meses de confrontos entre o Hamas e o exército de Israel, que já provocaram milhares de mortos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada e motivaram vários apelos a um cessar-fogo, incluindo por parte das Nações Unidas. O conflito, que se arrasta há décadas, voltou a escalar a 7 de outubro, na sequência de um primeiro ataque do movimento radical islâmico a um festival de música em Israel, perto de Gaza. Desde então, multiplicaram-se também as manifestações, tanto de apoio a Israel, como de solidariedade para com o povo palestiniano. Ainda assim, ao contrário do que alega a publicação, dificilmente podemos classificar os protestos no ocidente como “pró-Hamas”. Atentados, crimes de ódio e manifestações polémicas. A guerra Hamas-Israel pode alimentar o “potencial para a radicalização” na Europa A linha temporal é aqui importante porque, fazendo uma breve pesquisa na internet, percebemos que o vídeo foi filmado no verão de 2023, ou seja, meses antes do reacender dos combates entre Israel e o Hamas. Essa informação é confirmada pelo próprio autor da gravação que, na rede social TikTok, revela que a mesma foi feita “antes da guerra, durante manifestações contra o aumento dos preços e o bloqueio da Faixa de Gaza”. O autor reafirma que o vídeo “não tem nada a ver, nem foi filmado” durante o conflito e diz ter ficado “surpreendido” quando as imagens foram partilhadas online. Protestos semelhantes foram noticiados em julho por vários meios de comunicação internacionais, incluindo pela agência Associated Press, mostrando o descontentamento dos habitantes de Gaza com a governação do Hamas neste enclave palestiniano. De resto, a publicação já tinha sido desmentida pela plataforma de localização GeoConfirmed que, na rede social X, revela que a gravação foi feita no norte de Gaza, perto do campo de Jabalia — região que, ao contrário do que parece mostrar o vídeo original, está agora praticamente destruída, na sequência dos sucessivos ataques do exército israelita. GeoConfirmed ISR-PAL. "Palestinians in southern Gaza marching with white flags and chanting anti-Hamas slogans." 31.53291, 34.48639 GeoLocated by @fdov21 and @TwistyCB https://t.co/R2dTdNrIio — GeoConfirmed (@GeoConfirmed) November 23, 2023 Conclusão Apesar de se tratar de um protesto anti-Hamas na Faixa de Gaza, o vídeo partilhado surge descontextualizado. É verdade que mostra um verdadeiro descontentamento do povo palestiniano perante a governação do grupo islâmico, mas a gravação foi feita alguns meses antes do escalar do conflito e, por essa razão, não corresponde a uma resposta direta do povo de Gaza aos combates, ao contrário do que sugere a publicação. O próprio autor do vídeo confirma que o mesmo “nada tem a ver” com a atual guerra no Médio Oriente. Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é: ENGANADOR No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é: PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta. NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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