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  • A nomeação de Rita Rato para dirigir o Museu do Aljube Resistência e Liberdade gerou uma onda de críticas de historiadores e da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), que afirmam não entender a escolha da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC). Em causa, acusam, o facto de a antiga deputada do PCP não ter experiência profissional e formação académica que preencham os requisitos definidos pela própria entidade. No comunicado emitido pela entidade promotora do concurso público, foi explicado que a antiga deputada do PCP “se destacou pelo projeto apresentado e pelo desempenho nas entrevistas realizadas com o júri”. Argumentos que o presidente da Associação Nacional de Museologia considera não serem suficientes para justificar a opção. “Fiquei estupefacto”, assume João Neto em declarações ao Polígrafo relativamente ao concurso público criado para substituir Luís Farinha, que se reformou. “Há uma incoerência entre o que é pretendido e definido e a candidata escolhida”, sublinha ainda, reforçando que se a entidade organizadora do concurso público considerava que nenhum dos candidatos cumpria o perfil e os parâmetros de avaliação exigidos, “devia ter mudado os critérios”. Opinião idêntica tem a historiadora Irene Pimentel, que já deixara expressa a sua opinião nas redes sociais. “Pergunto: o que é isto? Que escolha é esta? Alguém que não é nem historiadora, nem museóloga, mas apenas militante de um partido, do qual foi deputada e que, ao ser questionada, sobre o Gulag estalinista e as prisões políticas na China, responde que não sabe de nada”, escreveu na sua conta pessoal. Ao Polígrafo, reforça as críticas, explicando que nada a move “contra Rita Rato”, mas que esta “não tem nada a ver com o perfil” exigido pela EGEAC. A historiadora assumiu também que a “incomoda” o facto de Rita Rato ter dito numa entrevista que não podia falar sobre os gulags (campos de trabalhos forçados soviéticos) por desconhecimento – “Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso”, disse ao Correio da Manhã – ou que não dava uma opinião sobre a questão dos presos políticos na China por não conhecer a realidade de forma a que pudesse “afirmar alguma coisa”. “Quem vai dirigir um museu do estilo do Aljube não o pode fazer”, defendeu, explicando que a pluralidade política deve ser sempre uma das imagens de marca do projecto. “A razão porque intervim publicamente é porque acho isto muito mau”, acrescenta Irene Pimentel, para quem “não existe transparência no processo”. Uma opinião que atravessou as redes sociais de uma forma generalizada, onde conhecidos e menos conhecidos não se coibiram de expressar a sua surpresa. Mas é verdade que o currículo de Rita Rato não corresponde totalmente às exigências do perfil exigido pela IGEAC para o desempenho do cargo? Para responder a esta questão, é importante conhecer as exigências em causa, que podem ser consultadas aqui. São elas: - Formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea); - Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus); - Experiência em programação e produção de exposições; - Experiência em gestão de pessoal e equipas; - Domínio da língua portuguesa falada e escrita; - Proficiência em inglês e francês; - Domínio das ferramentas do Microsoft Office; - Elevadas competências de relacionamento interpessoal; - Elevado sentido de responsabilidade e de confidencialidade. A biografia de Rita Rato no site do Parlamento indica apenas que a comunista possui uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, tirada na Universidade Nova de Lisboa. Deputada entre 2009 e 2019, foi coordenadora da Comissão de Educação, Ciência e Cultura, entre 2011 e 2015. Conclui-se, portanto, que as habilitações académicas/profissionais de Rita Rato não preenchem os três primeiros critérios constantes do perfil exigido pela IGEAC, uma vez que não possui formação superior na área da história política e cultural contemporânea, nunca desempenhou funções similares nem há registo de que tenha experiência em programação cultural ou em produção de exposições. O Polígrafo tentou falar com a militante comunista mas foi informado pela assessoria de imprensa do PCP de que esta se encontra de férias e, como tal, “incontactável”. O Museu do Aljube, inaugurado em abril de 2015, na antiga prisão da PIDE, é um dos equipamentos culturais do município de Lisboa, sob a alçada da EGEAC, e é dedicado à “memória do combate à ditadura e à resistência em prol da liberdade e da democracia”. Desde a instalação, o museu vindo a desenvolver projetos como a recolha de testemunhos de combatentes pela liberdade e de histórias de vida de muitos resistentes, para consulta pública e para memória futura dos crimes cometidos pela ditadura e os agentes que a sustentaram.
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