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| - “Queima de livros 1933 vs 2022”, lê-se no tweet de 4 de fevereiro. Em cima, uma fotografia a preto e branco que será de 1933; em baixo, uma imagem a cores que terá sido tirada este ano. Ambas mostram uma enorme fogueira onde estará a ser realizada uma queima de livros. Nas várias hashtags que acompanham o tweet, pode ler-se “#tennessee”, um dos estados norte-americanos.
Mas qual o contexto? E as imagens são verdadeiras?
Ambas as fotografias são verdadeiras. De acordo com o Museu Memorial Holocausto dos Estados Unidos, a primeira foto foi tirada durante uma queima de livros na Opernplatz (atualmente Bebelplatz), em Berlim, a 10 de maio de 1933.
Nesse dia, por toda a Alemanha, especialmente nas cidades universitárias, foram queimados pelo menos 25 mil livros de autores que Hitler e os seus apoiantes consideravam críticos do regime. Stefan Zweig, Thomas Mann, Sigmund Freud, Erich Kästner e Erich Maria Remarque foram alguns dos escritores e autores perseguidos pelo regime nazi.
Em Berlim, quase 40 mil pessoas reuniram-se na Opernplatz para ouvir o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels. “Não há decadência e à corrupção moral. Sim à decência e à moral na família e no Estado. Condeno às chamas os textos de Heinrich Mann, Ernst Gläser, Erich Kästner”, disse na altura.
A segunda fotografia é bem mais recente. Foi tirada a 2 de fevereiro de 2022, pelo fotógrafo Tyler Salinas, em Mt. Juliet, Tennessee, um subúrbio de Nashville, nos Estados Unidos.
Nesse dia, num evento organizado por Greg Locke, um pastor conservador e negacionista, foram queimados exemplares de “Maus”, uma banda desenhada premiada sobre o Holocausto, livros das sagas “Harry Potter” e “Crepúsculo”, mas também cartas de tarot, livros de feitiços e de fantasia.
A queima de livros foi filmada e transmitida ao vivo e é possível ver o pastor afirmar perante a multidão: “Temos um direito constitucional e um direito bíblico de fazer o que vamos fazer esta noite. A igreja tem o direito religioso de queimar materiais do oculto que considere ser uma ameaça aos seus direitos religiosos, liberdades e sistema de crenças.”
No final de janeiro, o conselho escolar do condado de McMinn, no estado do Tennessee, decidiu proibir a banda desenhada “Maus” (1980-1991), de Art Spiegelman, nas escolas por conter oito palavrões e um desenho de uma mulher nua. A obra ganhou em 1992 o prestigiado prémio Pulitzer de Literatura e é, até hoje, a única banda desenhada a alcançar esse feito.
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Avaliação do Polígrafo:
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