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| - A exuberância das imagens da devastação provocada pelo furacão Ian tem originado a sua partilha nas redes sociais. Entre as centenas de publicações diárias que referem mostrar os efeitos que este furacão de categoria 4 causou – em especial, no sudeste dos Estados Unidos da América (EUA) – nem todas são verdadeiras.
É o caso de uma colocada no Facebook, a 28 de setembro, e que mereceu 1.600 partilhas em 18 horas.
A legenda da imagem que acompanha o post não identifica o local (nas caisas de comentários aponta-se para Daytona Beach ou Miami, entre outros pontos da Florida), data e autor da imagem, mas garante que ilustra a passagem do furacão que provocou mais de 100 mortos e milhares de desalojados e deslocados: “Foto incrível de IAN! (…) Eu não tenho ideia de quem é o crédito da foto.”
O jornal “USA Today”, na sua edição de fact-checking, investigou o rasto da imagem, descobriu a sua origem e concluiu que não diz respeito ao Ian, tão pouco é uma fotografia. Trata-se de arte digital, ou seja, uma construção computorizada, criada em 2019 por Brent Shavnore, que está disponível no seu site. O próprio artista confirmou a autoria da obra ao jornal diário norte-americano, referindo que a partilhou pela primeira vez no Instagram em abril de 2019 e depois em outras ocasiões.
Nas respostas que deu ao “USA Today”, Brent Shavnore indicou ainda outro facto que terá contribuído para este equívoco: uma fotografia em que ele próprio foi retratado na rua (na cidade de Sarasota, no Estado da Florida), precisamente a 28 de setembro, a tentar escapar dos efeitos do furacão Ian, e que foi publicada na plataforma Getty Images.
É, pois, falso que a imagem publicada diga respeito ao furacão Ian, tratando-se, antes, de uma construção digital, datada de 2019.
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Avaliação do Polígrafo:
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