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| - Circula nas redes sociais uma publicação que alega que Malia Obama, filha do antigo Presidente dos Estados Unidos Barack Obama, teria recebido 2,2 milhões de dólares (cerca de 2,1 milhões de euros) dos contribuintes norte-americanos, concretamente através da USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional).
“Alguém pode explicar porque é que a Malia Obama recebeu 2,2 milhões de dólares em fundos da USAID? Estou a perguntar para um amigo”, lê-se na publicação. Em algumas versões desta publicação, a mensagem aparece acompanhada de uma fotografia de Malia Obama.
A publicação começou a circular pouco tempo depois da tomada de posse de Donald Trump como novo Presidente dos EUA. Entre as suas primeiras decisões como chefe de Estado conta-se a criação de um departamento para a “eficiência governamental”, liderado pelo empresário Elon Musk, que está a dedicar-se em exclusivo ao corte na despesa pública norte-americana. Uma das primeiras visadas por esta estratégia de cortes foi a USAID, uma agência que financia programas humanitários por todo o mundo, mas que a administração Trump acusa de ser, na prática, um veículo de propaganda de esquerda.
No início de fevereiro, o governo norte-americano anunciou que todos os trabalhadores da USAID seriam colocados em licença administrativa — e que os que viviam no estrangeiro teriam de voltar aos EUA. Foi no contexto desta ação da administração Trump que começaram a surgir várias informações, umas verdadeiras e outras falsas, sobre o destino que era dado ao dinheiro da USAID — como esta publicação envolvendo Malia Obama.
Neste caso, trata-se de uma publicação falsa — que, apesar disso, motivou vários comentários de utilizadores que, acreditando na publicação, exigiam a devolução do dinheiro e criticavam a atuação da USAID.
Há duas formas de concluir rapidamente que se trata de uma publicação falsa.
Em primeiro lugar, basta aceder ao portal USA Spending, a plataforma oficial do governo norte-americano dedicada a monitorizar os gastos públicos da administração federal. À semelhança do português Portal Base, é nesta plataforma que estão registados todos os contratos públicos feitos pelo governo federal, incluindo aqueles realizados ao abrigo das iniciativas da USAID.
Uma pesquisa, por exemplo, por “USAID” devolve centenas de contratos relacionados com as atividades desta agência federal por todo o mundo. Já uma pesquisa por “Malia Obama” devolve apenas dois resultados: um relacionado com o alojamento da filha de Obama e outro relacionado com os custos de um veículo para o transporte de Malia. Ambos os contratos, que totalizam cerca de 40 mil dólares, terão estado relacionados com uma visita de Malia ao Peru.
Não há qualquer registo de um contrato público envolvendo Malia Obama e a USAID, muito menos nos valores mencionados na publicação.
Por outro lado, também não é difícil encontrar a origem destas publicações: a página de Facebook “America’s Last Line Of Defense”, que publicou pelo menos duas versões diferentes desta informação falsa. Ambas ainda se encontram disponíveis online, aqui e aqui. Essas publicações vão ainda mais longe e dizem que Malia Obama teria até garantido que “mereceu” o dinheiro que teria recebido para escrever cartas a crianças desfavorecidas em países pobres.
A página “America’s Last Line Of Defense”, contudo, é uma conhecida fonte de publicações satíricas e notícias falsas de inclinação conservadora. Em abono da verdade, a própria página assume essa natureza na apresentação disponível no topo da página: “Nada nesta página é real.”
Conclusão
Não é verdade que Malia Obama tenha recebido 2,2 milhões de dólares da USAID. Por um lado, uma pesquisa na plataforma oficial da despesa federal dos EUA não devolve qualquer resultado que o comprove; por outro lado, a origem desta notícia falsa pode ser encontrada numa página que se assume como satírica.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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