schema:text
| - É o “número do dia” de domingo, quando se celebrou o 1.º de Maio, dia do trabalhador: “Os cinco maiores bancos em Portugal pagaram mais de 25 milhões de euros aos seus administradores.” Os dados reportam ao ano de 2021, mas serão verídicos?
O Polígrafo consultou, um a um, os relatórios de contas de cada um dos cinco bancos apontados como os “maiores” em Portugal e somou as remunerações (fixas e variáveis) de cada um dos responsáveis incluídos nos quadros das administrações.
No Millenium BCP, cujo relatório de 2021 pode ser consultado aqui, o valor total dos salários fixos pagos ao Conselho de Administração do banco atingiu os 4.970.000,26 euros só no ano passado (mais 1.897.660 euros em impostos). A esse montante deve ainda ser somado o complemento de reforma, que totalizou os 748.999,92 euros, pago ao Presidente e aos membros executivos do Conselho de Administração, bem como a remuneração variável (820 mil euros em 2021).
Miguel Maya, líder do BCP, recebeu um total de 947 mil euros durante 2021, um valor que inclui salário fixo, variável e ainda 130 mil euros relativos ao complemento de reforma. O salário fixo, de 650 mil euros, tem-se mantido constante ao longo dos anos, mas a remuneração variável beneficiou Miguel Maya em relação a 2019, por exemplo, e fez com que o seu salário diminuísse em relação a 2020.
No caso do BPI, cujo relatório pode ser consultado aqui, não se verificou a existência de remuneração variável em 2021, sendo que a fixa totalizou, para todos os membros do Conselho de Administração, os 4.538.041 euros. “A este valor acresceram 14.800 euros a título de senhas de presença pela sua participação nas reuniões das comissões consultivas e de apoio ao Conselho de Administração estatutariamente previstas, relativas ao ano de 2020 pagas em 2021”, informa o documento. Deste montante, o Presidente Executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, levou para casa 743.830 euros.
Na Caixa Geral de Depósitos o cenário é significativamente distinto: 3.061.039,95 euros foi o montante anual que o banco público gastou em salários fixos. “Em 2020 e em 2021 não foi paga aos membros executivos do Conselho de Administração remuneração variável relativamente ao exercício de 2019 e ao exercício de 2020, estando tais pagamentos ainda dependentes de decisão do acionista da Caixa”, informa a instituição.
Paulo Macedo, o presidente executivo do banco público, recebeu em forma de salário fixo um total de 423 mil euros anuais. Os membros não executivos do Conselho de Administração auferiram ainda senhas de presença pela sua participação nas reuniões das Comissões Especiais do Conselho de Administração, no valor de 3.700 euros por reunião com um limite anual de 49.000 euros.
Quanto ao relatório de contas de 2021 do Novo Banco, entre o Conselho de Administração Executivo e o Conselho Geral e Supervisão, foram transferidos 3.139.865 euros para o conjunto de administradores, 410 mil euros dos quais seguiram para António Manuel Ramalho, Presidente Executivo do grupo.
“Para o ano de 2021, a remuneração variável foi atribuída condicionalmente, sujeita à verificação de condições diversas, no montante de 1,6 milhões de euros aos membros do Conselho de Administração Executivo. Este prémio teve como base o desempenho individual e coletivo de cada membro, avaliado pelo Comité de Remunerações. Esta atribuição não deu origem a direitos adquiridos e nenhum pagamento foi realizado a estes membros, estando a mesma sujeita à verificação das condições previstas na Política de Remunerações”, lê-se no documento.
Por fim, no caso do banco Santander, este transferiu o maior montante quer para o total dos membros do seu Conselho de Administração quer para o seu Presidente. Entre remunerações fixas e variáveis (pagas em numerário e em ações do banco), foram pagos cerca de 5,2 milhões de euros em 2021 (992 mil dos quais ficam retidos durante um ano). Pedro Castro e Almeida, o único dos cinco Presidentes Executivos a auferir mais do que um milhão de euros, viu o seu salário fixo (de 513 mil euros) juntar-se a 539 mil euros de remuneração variável atribuída, 261 mil euros dos quais pagos em numerário e 278 mil euros em ações do banco, que só começam a ser pagos em 2023.
________________________________
Avaliação do Polígrafo:
|