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| - “Vamos ter a nova maternidade. Já resolvemos o segundo problema, como a financiar. Há, neste momento, 700 metros de diferença para podermos tomar a decisão final e abrir o concurso para a elaboração do projeto”, afirmou António Costa durante o comício de campanha do PS em Coimbra, na quinta-feira, referindo-se à decisão que ainda falta tomar sobre o local exato da maternidade.
“A partir do dia 27 [de setembro], doa por onde doer, não podemos levar mais do que três semanas a resolver o problema“, prometeu António Costa, que estabeleceu o prazo de abertura do concurso a partir das eleições autárquicas de 26 de setembro.
A reação de Rui Rui, líder do PSD, às palavras de Costa não se fez esperar. No mesmo dia, em Portalegre numa ação de rua, disse ter ficado “chocado” com as palavras do primeiro-ministro e salientou que esta é já uma reivindicação antiga da cidade.
“Em 2015 quando António Costa foi primeiro-ministro já existia [a reivindicação], a doutora Marta Temido foi candidata por Coimbra, promete a maternidade e não realiza maternidade nenhuma, e agora vêm falar em três semanas? Podia parafrasear António Costa e dizer: macacos me mordam se isto é verdade (…) Eu acho que os macacos vão mesmo morder”, criticou o líder do PSD.
No Twitter, a alegada antiguidade da promessa também foi recordada: “PSD, que acredita poder ganhar a Câmara ao PS, avança com Constitucional em Coimbra. Juízes do TC falam em desprestígio. PS acusa PSD de eleitoralismo enquanto Costa saca da Maternidade há anos prometida. Todos bem uns para os outros.”
No final de 2016, o Ministério da Saúde, liderado por Adalberto Campos Fernandes, autorizou o início da construção da nova maternidade de Coimbra. A ideia sempre foi a de fundir as duas maternidades já existentes na cidade num novo edifício.
Na altura, o presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), em declarações à Lusa, explicou que, face a este anúncio do Governo, o CHUC iria avançar em 2017 com o lançamento do concurso internacional para o projeto de arquitetura, a elaboração do projeto de arquitetura e a elaboração do caderno de encargos para se poder “lançar o concurso da obra ainda no final de 2017 ou no início de 2018“.
O presidente da unidade hospitalar informou ainda que a nova maternidade, com um orçamento previsto de 16,8 milhões de euros, deveria estar concluída entre o final de 2019 e o início de 2020.
Mas o que se colocou no caminho desta promessa?
Desde o seu anúncio, a localização da maternidade única em Coimbra gerou grande divisão entre aqueles que defendiam a integração do edifício no complexo do CHUC e os que entendiam que deveria ser instalada junto ao Hospital dos Covões, com principal argumento de não piorar as situações diárias de congestionamento e falta de estacionamento junto dos CHUC.
Em abril de 2018, em reunião plenária (37:44 – 37:58) na Assembleia da República o deputado do PSD Fernando Negrão questionava a António Costa: “Maternidade de Coimbra, anunciada pelo senhor ministro da saúde com um calendário de início e de fim de obras, para quando a maternidade única em Coimbra?”
Em resposta, o primeiro-ministro afirmou: “Senhor deputado Fernando Negrão, o senhor ministro da Saúde reviu em alta a sua previsão, diz que daqui a 15 dias lhe entrega o relatório e que amanhã irá a Coimbra precisamente discutir com a administração da maternidade o calendário da execução dessa obra.”
Em junho de 2019, a ministra da Saúde, Marta Temido, referiu, em visita a Coimbra, que a tutela tinha recebido “muito recentemente” uma proposta do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que apontava para uma solução dentro do perímetro dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
Em abril de 2018, em reunião plenária (37:44 – 37:58) na Assembleia da República o deputado do PSD Fernando Negrão questionava a António Costa: “Maternidade de Coimbra, anunciada pelo senhor ministro da saúde com um calendário de início e de fim de obras, para quando a maternidade única em Coimbra?” Em resposta, o primeiro-ministro afirmou: “Senhor deputado Fernando Negrão, o senhor ministro da Saúde reviu em alta a sua previsão, diz que daqui a 15 dias lhe entrega o relatório e que amanhã irá a Coimbra precisamente discutir com a administração da maternidade o calendário da execução dessa obra.”
Contra a proposta estavam a Câmara Municipal de Coimbra, Assembleia Municipal e Comunidade Intermunicipal, tomando uma posição a favor da sua localização no Hospital dos Covões (também integrado no CHUC).
Em novembro do mesmo ano, a ministra falou sobre a questão na Assembleia da República (01:44 a 02:00). “Como é sabido, a única questão que inibe o Governo de avançar com esse projeto é a indefinição quanto à localização da nova maternidade. Recebemos anteontem os resultados sobre os estudos conclusivos sobre esse tema e, portanto, essa decisão vai ser agora tomada”, justificou.
Também num comício do PS em Coimbra (58:14), realizado em 2019, Temido tinha referido a necessidade da construção da maternidade: “Se não fosse daqui, não poderia dizer-vos que sei que a saúde materna e obstétrica em Coimbra exige uma infraestrutura nova e única e compete a uma cidade que se reclama da saúde e da ciência gerar o equilíbrio entre a qualidade e eficiência assistenciais.”
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