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| - “Metade dos fundadores do Chega que entregaram no Tribunal Constitucional as assinaturas em janeiro de 2019 já saiu do partido de André Ventura”, destaca-se numa publicação de 2 de fevereiro no Facebook. A alegação parte da página “Cheganos” que partilha regularmente conteúdo de crítica ao partido liderado por Ventura.
Uma fotografia de vários membros e ex-membros do Chega, captada junto do Tribunal Constitucional, serve de apoio à afirmação. Quase todos os elementos são identificados como “ex” e “fora da direção”. Segundo a legenda, apenas André Ventura e Ricardo Regalla, chefe de gabinete do líder do partido, não saíram da estrutura partidária e/ou da respetiva direção.
Confirma-se?
Analisando a imagem da direita para a esquerda, em primeiro lugar, identifica-se Nuno Afonso que abandonou o Chega no final de janeiro. Depois de uma guerra interna de mais de um ano, o militante número dois do partido e o principal crítico de André Ventura, desfiliou-se e manteve-se como vereador independente em Sintra. Ao seu lado está Ricardo Regalla, que tal como se alega continua na direção do partido. Ou seja, as informação apresentadas sobre os dois elementos são verdadeiras.
Ao lado do atual militante surge Pedro Perestrello, ex-candidato do Partido Nacional Renovador (PNR ), que, tal como confirmado pelo Polígrafo em 2019, tinha saltado para a direção do Chega. Dez meses depois da constituição do Chega como partido, a revista “Sábado” revelou que dois dos seus fundadores se desvincularam, deixando denúncias de ilegalidades em relação à recolha de assinaturas necessárias à formação da estrutura partidária. Um deles era Perestrello.
Fonte oficial do Chega garante que Luís Graça, que surge na fotografia de bengala ao lado de Regalla e à frente de Perestrello, e que está sinalizado como ex-membro, não abandonou o partido. Contactado pelo Polígrafo, Graça confirma esta informação – ainda é militante. Ou seja, a informação apresentada na imagem é falsa.
Identifica-se depois Nuno Silva, de cachecol vermelho. O partido liderado por Ventura garante que, ao contrário do que se alega na imagem, este militante nunca pertenceu à direção nacional, ou seja, não poderia ter deixado de fazer parte da mesma. Garante que a situação se repete em relação a Fernanda Marques Lopes, ao lado do Nuno Silva, “que nunca foi da Direção Nacional e continua no partido”.
Atrás dos dois membros referidos estão Pedro Candeias (mais à direita) e Cristina Vieira (mais à esquerda), ambos “não pertenceram à direção nacional” e fazem atualmente parte do partido, garante o Chega. Do lado esquerdo de Vieira está Jorge Castela, que está identificado de forma correta como ex-membro. É o segundo fundador que se desvinculou em parelha com Perestello, em 2019.
De seguida identifica-se André Ventura, o atual presidente do partido, e do seu lado esquerdo Carlos Monteiro, que segundo fonte oficial do Chega continua no partido, ou seja, não é um ex-militante como se alega. Ao lado de Monteiro está Hernani Costa que já não é militante, informa o partido. O Chega garante mesmo, em relação à imagem analisada, que “nenhum dos que estão identificados como pertencentes à direção foram realmente da direção”. Pode estar em causa a confusão, pelos autores da respetiva legenda, entre membros da direção e membros dos restantes órgãos do partido, tais como a mesa do Conselho Nacional ou o Conselho de Jurisdição Nacional.
Existem ainda dois elementos, apontados como ex-militantes, que estão tapados nesta fotografia e que o próprio partido não identifica. Além disso, outros elementos fundadores do partido, que não aparecem nesta imagem, já abandonaram o Chega, tal como Lucinda Ribeiro e Patrícia Sousa Uva – noticiava o “Observador” em maio do ano passado.
Mas existe outra questão a ter em conta. No acórdão do Tribunal Constitucional referente à criação do partido, os seis primeiros signatários são: “André Claro Amaral Ventura, Manuel Jorge Cardoso Castela, Fernanda Isabel Marques Lopes, Nuno Manuel Pinto Afonso, Carlos Manuel da Silva Monteiro e Pedro Augusto Alves do Rio Perestrello de Vasconcellos”.
Ou seja, seis principais fundadores, três desfiliaram-se – Jorge Castela, Pedro Perestrello e Nuno Afonso. Restam três na estrutura partidária: André Ventura, Fernanda Marques Lopes e Carlos Monteiro.
Em suma, a imagem que circula nas redes sociais e em que são identificados membros que se desfiliaram do partido de Ventura e ex-membros da direção contém dados incorretos. Apesar disso, a principal conclusão – de que metade dos fundadores do partido já se desfiliaram – é verdadeira, tendo em conta a lista de primeiros signatários.
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Avaliação do Polígrafo:
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