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  • É falso o gráfico que afirma que 5.280 empresas decretaram falência em 2025 e que este seria o recorde histórico. A visualização que tem sido compartilhada nas redes mistura dados de bases distintas e não comparáveis. Além disso, os números apresentados mostram o total de empresas que requisitaram recuperação judicial, e não falência. O número absoluto de falências é, atualmente, menor do que o registrado na época da pandemia de Covid-19. As peças de desinformação acumulavam 300 mil visualizações no X (ex-Twitter) e 12 mil curtidas no Instagram até a tarde desta terça-feira (10). Falências das empresas batendo recordes. Usuários têm compartilhado um gráfico desinformativo para afirmar que 2025 foi o ano em que o maior número de empresas decretou falência no Brasil. A visualização comete uma série de erros, que invalidam qualquer interpretação dos dados: Primeiramente, o gráfico mostra dados de recuperação judicial e não falências. No estado de recuperação judicial, a empresa mantém suas atividades e empregos e tenta renegociar suas dívidas, enquanto na falência a companhia é encerrada; - O número referente a 2025, retirado do UOL, foi extraído do Monitor RGF, que traz um acumulado de empresas que estão em situação de recuperação judicial no momento, e não que solicitaram a medida naquele ano; - Já os dados de 2014 a 2024, compilados pela Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), são do Serasa e mostram o total de requisições de recuperação judicial feitas em cada ano; - Isso significa que as duas bases usam metodologias diferentes e, por isso, não são comparáveis. - O Serasa Experian calcula o número de recuperações judiciais desde 2005. Segundo a empresa, em 2024 houve o maior número absoluto de requerimentos dos últimos dez anos. Não foram divulgados dados de 2025 até o momento. O número absoluto de requerimentos de falências, também divulgado pelo Serasa, apresenta outro desenho, que mostra uma tendência de queda desde 2016 (veja abaixo). Uma comparação correta deveria estabelecer a proporção entre empresas em situação de falência ou recuperação judicial e o total de companhias brasileiras, e não usar números absolutos. Isso porque o número de empresas abertas tem crescido no Brasil a cada ano. O Serasa, no entanto, não calcula esses números relativos, porque constrói seu levantamento com base nas estatísticas registradas mensalmente em fóruns, varas de falência e diários oficiais. Aos Fatos perguntou qual seria o total de empresas que deveria ser levado em consideração para esse cálculo, mas o Serasa não respondeu. 2025. Já o número referente a 2025 foi retirado do Monitor RGF de Recuperação Judicial no Brasil. Essa base, diferentemente do Serasa, monitora empresas registradas na Receita Federal e exclui de seu levantamento MEs (microempresas), ONGs, filiais e CNPJs não ativos. Outro ponto que distingue os dados do Serasa dos números do Monitor RFG é a metodologia utilizada. Enquanto o primeiro agrega informações sobre o total de recuperações judiciais requeridas, o segundo apresenta o acumulado de empresas que tiveram a recuperação judicial aprovada e se encontram nessa situação no momento. “Os dados do Serasa não são diretamente comparáveis aos do Monitor RGF, porque partem de universos estatísticos, critérios de inclusão e objetivos analíticos distintos”, explicou a assessoria da RFG Associados, empresa de consultoria responsável pelo monitor. Segundo o levantamento, havia 5.285 empresas em recuperação judicial no Brasil no terceiro semestre de 2025. Além de trazer números absolutos, o monitor também apresenta o IRJ (Índice de Recuperação Judicial), que calcula o número de recuperações judiciais a cada mil empresas. A série histórica, no entanto, começa no segundo trimestre de 2023. Em nota, a RFG afirmou que não é metodologicamente correto fazer comparações entre governos a partir de seu monitor e que o sistema não foi concebido para avaliar políticas públicas e governos passados. O gráfico desinformativo tem sido compartilhado por bolsonaristas para criticar o governo Lula e desacreditar os índices econômicos atuais. A publicação enganosa foi disseminada, inclusive, pelo pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aos Fatos entrou em contato com a assessoria do parlamentar, mas não recebeu resposta até a publicação desta checagem. O caminho da apuração Aos Fatos procurou as fontes citadas no gráfico e chegou às bases originais das informações — Serasa Experian e RFG Associados. Entramos em contato com as duas empresas, que explicaram que seus dados não são comparáveis. Também procuramos informações para diferenciar recuperação judicial de falência. Por fim, entramos em contato com o senador Flávio Bolsonaro para abrir espaço para que ele comentasse a checagem. Não houve resposta.
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