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| - Não é verdade que a BYD vai trazer 10 mil chineses para trabalhar na sua fábrica de Camaçari (BA). O número corresponde à estimativa de empregos diretos e indiretos para brasileiros que a montadora pretende gerar em 2026. Até agora, a BYD afirma empregar 3.200 trabalhadores diretos e outros 3.700 em empresas terceirizadas, todos brasileiros. O acordo com o governo baiano prevê que 70% da mão de obra seja nacional. Em 2025, esse percentual chegou a 93%, segundo o estado.
A peça de desinformação foi enviada por leitores do Aos Fatos à Fátima, nossa robô checadora (fale com a Fátima). Outras publicações nas redes que disseminam o conteúdo enganoso acumulavam ao menos 90 mil visualizações no X até a tarde desta quarta-feira (18).
Denúncia grave: A BYD anunciou fábrica na Bahia, mas está trazendo cerca de 10.000 chineses para ocupar o lugar dos brasileiros (com direito a apartamentos construídos pela empresa, e tudo mais). Onde está o Congresso Nacional?
Publicações nas redes enganam ao alegar que a BYD pretende trazer 10 mil chineses para trabalhar na sua fábrica de carros elétricos em Camaçari (BA). De acordo com a montadora, esse número corresponde ao total de empregos diretos e indiretos que devem ser gerados para brasileiros até o fim de 2026.
Até o momento, cerca de 3.200 trabalhadores diretos atuam no complexo da empresa na cidade baiana, a maioria deles na linha de montagem da fábrica, segundo a BYD. Há ainda cerca de 3.700 empregados terceirizados, totalizando ao menos 6.900 colaboradores brasileiros. Na semana passada, a empresa anunciou a abertura de mais 3.000 vagas e disse que vai priorizar profissionais da região.
Na tarde desta quarta-feira (18), Aos Fatos verificou que a empresa mantinha 71 anúncios de vagas abertas na plataforma Gupy.
O acordo firmado entre a BYD e o governo baiano previa que ao menos 70% da mão de obra empregada no complexo de Camaçari fosse nacional. Em 2025, segundo o estado, esse percentual foi de 93%.
Trabalho escravo. Em 2025, o MPT-BA (Ministério Público do Trabalho na Bahia) denunciou a BYD e outras duas empreiteiras por trabalho escravo e tráfico de pessoas por manter 220 trabalhadores chineses em situação análoga à escravidão no canteiro de obras de Camaçari.
Segundo a denúncia, os trabalhadores teriam entrado no país de forma irregular, com vistos para serviços especializados que, no entanto, não correspondiam às atividades desenvolvidas na obra. Além disso, eles foram acomodados em alojamentos sem conforto e higiene e executaram jornadas exaustivas de trabalho.
À época, a montadora afirmou que uma das empreiteiras contratadas para o serviço havia cometido irregularidades e que decidiu romper o contrato. No final de 2025, a montadora e as empreiteiras firmaram um acordo de R$ 40 milhões com o MPT-BA na ação civil pública.
Esta peça de desinformação também foi checada pelo Estadão Verifica e pelo Boatos.org.
O caminho da apuração
Aos Fatos entrou em contato por telefone e por email com a montadora BYD que, em nota, negou a veracidade das alegações e disse que os empregos gerados em Camaçari (BA) são destinados a brasileiros.
A reportagem também fez contato com o Governo da Bahia e usou notícias da imprensa e do MPT-BA para contextualizar a verificação. Aos Fatos consultou ainda a plataforma Gupy para verificar a oferta de vagas da BYD em Camaçari.
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