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| - Questionada sobre se “a reversão das leis da troika no trabalho será sempre uma condição para o Bloco de Esquerda fazer parte de um projecto comum” à esquerda e centro-esquerda, com o PCP e o PS, Catarina Martins garantiu desde logo que “foi sempre”.
Nesse sentido, prosseguiu: “Reequilibrar a relação do trabalho foi sempre e continuará a ser. Quando a esquerda desistir disso, desiste de ser esquerda. Em Portugal, os salários representam 40% do PIB, é muito pouco. Quer dizer que a maior parte da riqueza foge a quem a cria, a quem trabalha. Trabalhar não chega para sair da pobreza, esse é o principal problema do nosso atraso”.
Há dados que fundamentem tal afirmação?
Sim. Por exemplo, no recente estudo “A Pobreza em Portugal – Trajetos e Quotidianos“, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado por Fernando Diogo, professor de Sociologia na Universidade dos Açores, informa-se que um quinto da população portuguesa é pobre e a maior parte das pessoas em situação de pobreza trabalha, sendo que a maioria dos trabalhadores nessa condição tem vínculos laborais sem termo.
Apresentado em abril de 2021, o estudo resulta da observação dos últimos dados disponíveis do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), relativos a 2018, aliada à realização de uma análise qualitativa baseada em “91 entrevistas aprofundadas por todo o país”.
Segundo o coordenador da equipa de 11 pessoas, em declarações à Agência Lusa, essa metodologia inédita permitiu representar a “diversidade da pobreza em Portugal“, para perceber “como é que a pobreza se organiza” e porque “as pessoas em situação de pobreza não são todas iguais”.
Fernando Diogo salientou que no estudo identificam-se “quatro perfis de pobreza em Portugal: os reformados (27,5%), os precários (26,6%), os desempregados (13%) e os trabalhadores (32,9%)”.
A análise conclui que um terço dos pobres são trabalhadores. Juntando-lhes os precários, percebe-se que mais de metade das pessoas em situação de pobreza trabalha, o que significa que “ter um emprego seguro não é suficiente para sair de uma situação de pobreza”.
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Avaliação do Polígrafo:
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