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| - “Não podemos esquecer-nos que os nossos governantes (…) são talvez os últimos eleitos que têm efetivamente a possibilidade de combater o ponto de não retorno. As alterações climáticas não são uma miragem do futuro, são uma realidade do presente“, alertou a deputada Inês Sousa Real, nova líder do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), ao intervir no debate de ontem sobre o “Estado da Nação”, na Assembleia da República.
Sousa Real questionou o primeiro-ministro António Costa sobre as políticas que Portugal irá aplicar no futuro para conter as alterações climáticas, apontando para o exemplo dos incêndios florestais no Canadá e as recentes cheias na Europa para sublinhar a urgência das medidas a implementar.
“Portugal foi o primeiro país do mundo, na COP [Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas] de Marraquexe em 2016, a assumir o compromisso da neutralidade carbónica a 2050. Foi precisamente na presidência portuguesa que aprovámos a Lei Europeia do Clima que alarga a toda a União Europeia este compromisso que Portugal já tinha assumido”, começou por salientar o primeiro-ministro, na respostas à líder do PAN.
“A Comissão Europeia, no seu relatório, considera que Portugal é, de todos os países da União Europeia, aquele que está em melhores condições de poder alcançar estas metas. Isto não acontece por acaso. Acontece porque apesar de todo o cenário adverso que enfrentamos – de risco de seca, de erosão costeira, de fogos florestais – temos efetivamente agido proativamente para termos a energia mais sustentada em fontes renováveis, para alargar a eficiência energética”, garantiu.
De facto, no dia 30 de novembro de 2020, a Agência Lusa noticiou que “Portugal é o país da UE mais próximo de atingir as metas climáticas para 2030. Executivo comunitário prevê que, com as medidas atuais, Portugal ultrapassará em 23% a meta estipulada pela Comissão Europeia para 2030″.
Na base da notícia está um relatório da Comissão Europeia no qual se informa que Portugal é o Estado-membro da UE que está mais perto de alcançar as metas de redução de emissões até 2030, relativamente aos níveis de 2005. No relatório indica-se que, mantendo as atuais medidas em vigor, Portugal deverá ultrapassar a meta estipulada em 23%, atingindo uma redução de 40% de emissões. E se forem implementadas as medidas previstas no Plano Nacional de Energia e Clima, essa redução deverá chegar a 47%.
O relatório inclui um gráfico com as “diferenças entre as metas para 2030 e as emissões projetadas com as medidas existentes e com as medidas esboçadas nos planos nacionais de energia e clima em percentagem das emissões do ano base de 2005. Valores positivos indicam superação das metas; valores negativos indicam que as metas são projetadas para não serem cumpridas”.
Nas primeiras posições destacam-se Portugal, Grécia e Croácia.
Ou seja, Portugal superaria o objetivo em 23% caso as medidas se mantenham tal como estão, mas se forem implementadas as outras políticas já planeadas, alcançará os 30%.
Pelo contrário, a projeção dos valores de toda a UE estão em valores negativos e, caso todas as medidas planeadas sejam aplicadas, a UE só superará as metas em 3%. Além de Portugal, apenas a Grécia, a Croácia, a Letónia e a Hungria devem superar as metas, enquanto a Eslováquia e a Suécia alcançam exatamente os valores planeados.
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Avaliação do Polígrafo:
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