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| - Um vídeo difundido nas redes sociais mostra Thierry Breton, antigo comissário europeu, numa entrevista a um meio de comunicação social francês, onde admite que a União Europeia “tem ferramentas” para “contrariar a possível vitória da AfD nas eleições”.
Será mesmo assim? Antes, o contexto. Thierry Breton é de facto um antigo comissário europeu. Fez parte do primeiro executivo de Ursula von der Leyen e demitiu-se, com críticas à liderança “questionável” da política alemã, em setembro de 2024.
E, sim, a Alemanha está a um passo de eleições antecipadas — as eleições federais estão marcadas para 23 de fevereiro —, depois de uma moção de confiança ter derrubado o governo de coligação de Olaf Scholz. Eleições que, como nos mostram as sondagens (neste caso, realizadas pelo Politico), podem traduzir-se numa derrota para os sociais-democratas de Scholz, uma grande vitória (30%) para os democratas-cristãos e com o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha a ultrapassar os 20% e a tornar-se a segunda maior força no país.
É neste sentido que um excerto de uma entrevista de Thierry Breton está a ser partilhada nas redes sociais, acompanhada da acusação de que o ex-comissário terá defendido que a União Europeia deve tomar medidas para evitar a vitória da AfD.
Em 19 segundos, Thierry Breton diz: “Vamos esperar e ver o que acontece. Por agora, temos que manter a posição, enquanto asseguramos que as leis são aplicadas na Europa, quando estão em risco de ser contornadas. E se essas leis não forem aplicadas pode levar a interferência. Fizemo-lo na Roménia e vamos fazê-lo, se for preciso na Alemanha.”
De facto, a entrevista de Thierry Breton à rádio RMC aconteceu no dia 9 de janeiro deste ano. Mas o destaque é bem diferente. No artigo que resume a entrevista feita ao antigo comissário europeu compreendemos que o tema não são as eleições na Alemanha, mas sim a interferência de Elon Musk em vários processos eleitorais europeus.
Thierry Breton comentava desta maneira a entrevista de Elon Musk, na rede social X, a Alice Weidel, líder da AfD. O antigo comissário europeu defendia que, sendo a entrevista transmitida na Europa, numa plataforma regulamentada, “deverá seguir as regras europeias“, caso contrário “há multas e possibilidade de proibição”.
Assim, Thierry Breton não defendia que a União Europeia interviesse nas eleições na Alemanha, mas sim na transmissão, em países europeus, da entrevista de Musk à líder da AfD. Aliás, essa entrevista está sob investigação da Comissão Europeia, sob risco de violar as regras da União Europeia relativas às redes sociais.
Elon Musk não ficou indiferente. O dono da rede social X partilhou o excerto da entrevista de Thierry Breton, acusando-o de ser o “tirano da Europa“. Ainda na mesma rede social, Breton respondeu questionando se Elon Musk estava “perdido na tradução” ou a partilhar “mais uma notícia falsa”.
Tyrant of Europe????? Wow!
But No @elonmusk: the EU has NO mechanism to nullify any election anywhere in EU. Not at all what is said in the video below related only to the application of the DSA and its moderation obligations. Lost in translation ????…or another fake news????? https://t.co/oqh8wI4O55
— Thierry Breton (@ThierryBreton) January 11, 2025
Mais tarde, Breton voltou a dar uma entrevista sobre as acusações de Elon Musk. Em entrevista à France Info, o ex-comissário reconheceu que, apesar de as palavras do multi-milionário poderem ser “chocantes”, também Musk tem direito à liberdade de expressão.
Conclusão
Ao contrário do que pretendem mostrar as publicações nas redes sociais (que chegaram até aos ouvidos de Elon Musk), Thierry Breton não defende que a União Europeia deva interferir com as eleições na Alemanha para evitar uma vitória da AfD. Primeiro, porque não há nenhuma sondagem que coloque a extrema-direita alemã no poder. E, segundo, porque o que o ex-comissário europeu defendeu foi que a União Europeia atue junto da rede social X para assegurar que cumpre “regras europeias” em momentos como a entrevista de Elon Musk à líder da AfD.
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.
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